Filho de Bolsonaro pede ao governo de Trump que afunde lanchas de tráfico de droga perto do Brasil

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu esta quinta-feira ao Governo de Donald Trump que intervenha diretamente no combate ao narcotráfico frente ao litoral do Brasil, replicando operações que os Estados Unidos realizam no Pacífico e nas Caraíbas.

Pedro Gonçalves
Outubro 24, 2025
11:46

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu esta quinta-feira ao Governo de Donald Trump que intervenha diretamente no combate ao narcotráfico frente ao litoral do Brasil, replicando operações que os Estados Unidos realizam no Pacífico e nas Caraíbas. Flávio utilizou as redes sociais para se dirigir ao secretário do Departamento de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, afirmando: “Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com droga. Não gostaria de passar uns meses aqui a ajudar-nos a lutar contra estas organizações terroristas?”

Não é a primeira vez que a família Bolsonaro recorre à administração norte-americana. Durante o governo Trump, já tinham solicitado intervenção para tentar anular decisões judiciais que resultaram numa condenação de 27 anos de prisão para o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. Em julho, o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio anunciou a revogação do visto do juiz Alexandre de Moraes, responsável pelo caso, alegando uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, medida que também incluiu outros sete magistrados do Supremo Tribunal Federal e familiares do ex-presidente.

O pedido de Flávio surge após publicações de Pete Hegseth sobre ataques cinéticos em águas internacionais do Pacífico, nos quais pelo menos três pessoas morreram em embarcações alegadamente envolvidas no tráfico de droga. Estas operações fazem parte de uma ofensiva norte-americana que se estende também ao litoral venezuelano, onde foram afundadas pelo menos sete embarcações, resultando em cerca de 30 mortos. O El Español destaca que o Brasil constitui uma rota estratégica de saída de droga produzida em países como Colômbia, Peru e Bolívia, sendo grande parte do narcotráfico controlada pelo grupo Primeiro Comando da Capital (PCC), com origem nas prisões de São Paulo nos anos 90 e presença em vários países da América do Sul.

Durante o seu mandato entre 2019 e 2022, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária desde 4 de agosto de 2025, defendeu uma política de “mão dura” contra o crime organizado, sob o lema: “bandido bom é bandido morto”. A atual intervenção solicitada pelo filho reforça esta linha de pensamento, ao pedir medidas militares externas para enfrentar diretamente o narcotráfico que chega ao território brasileiro.

O apelo de Flávio Bolsonaro poderá intensificar a cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos, mas também levanta questões sobre soberania nacional e limites da intervenção estrangeira. A situação no litoral brasileiro, em particular na Baía de Guanabara, torna-se um ponto crítico na luta contra o tráfico, num contexto de tensões regionais que envolvem operações norte-americanas nas Caraíbas, Pacífico e fronteiras da Colômbia e Venezuela.

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