Empresas investidas por capital de risco geram 12 vezes mais vendas e empregam 15 vezes mais, aponta estudo do ISCTE

O setor movimenta 21,7 mil milhões de euros por ano e paga em média 2,2 milhões de euros de IRC por empresa.

André Manuel Mendes

Um estudo do ISCTE encomendado pela APCRI revela que estas empresas são mais capitalizadas, rentáveis e exportadoras. O setor movimenta 21,7 mil milhões de euros por ano e paga em média 2,2 milhões de euros de IRC por empresa.

As empresas portuguesas financiadas por sociedades gestoras de Private Equity e Venture Capital apresentam um desempenho muito superior à média nacional. De acordo com o estudo “Impacto do Capital de Risco em Portugal – Emprego, Crescimento e Internacionalização”, elaborado pelo ISCTE para a APCRI – Associação Portuguesa de Capital de Risco, estas empresas geram, em média, um volume de negócios 12,3 vezes superior ao das restantes e empregam 15,1 vezes mais pessoas.



As conclusões do estudo serão apresentadas na Conferência da APCRI, que se realiza a 29 de outubro, na sede da Cuatrecasas, em Lisboa, e que contará com a participação do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, na sessão de abertura, e do secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes, no encerramento.

Segundo a investigação conduzida por Paulo Viegas de Carvalho e Carlos Manuel Pinheiro, docentes e investigadores do ISCTE, 49% do volume de negócios das empresas investidas corresponde a exportações, o que contribui para resultados muito superiores à média nacional. No total, estas empresas movimentam cerca de 21,7 mil milhões de euros por ano e empregam 177 mil pessoas.

O impacto fiscal é igualmente expressivo: cada empresa paga, em média, 2,2 milhões de euros de IRC por exercício, um contributo “significativo para as finanças públicas”, sublinha o estudo.

“Para um Governo que colocou o crescimento económico como a primeira prioridade desta legislatura, é muito importante que os ministérios da Economia e das Finanças saibam, com precisão académica, que há um setor que investe capital privado nas empresas portuguesas e que, através da sua gestão, as torna bastante maiores, mais eficientes, mais inovadoras e mais exportadoras do que a média nacional”, afirma Stephan de Moraes, presidente da APCRI. Segundo Stephan de Moraes, este setor merece ter melhores condições para investir. “Os resultados apurados pelo ISCTE são o melhor estímulo para que o Governo concretize rapidamente duas medidas do Programa que em junho apresentou à Assembleia da República: a constituição de um fundo de fundos sob gestão do Banco Português de Fomento; e incentivos a investidores institucionais, como fundos de pensões ou seguradoras, para que participem em fundos de Private Equity e de Venture Capital que invistam em empresas nacionais”.

 

Empresas mais produtivas e rentáveis

Em média, cada empresa participada emprega 125 trabalhadores e regista 15,3 milhões de euros de volume de negócios anual. O estudo do ISCTE mostra ainda que estas empresas têm uma rotação do ativo e rentabilidade muito acima da média nacional, refletindo “a eficiência do investimento e a criação de valor” proporcionada por este tipo de financiamento.

O EBITDA médio das empresas apoiadas por capital de risco é de 1,5 milhões de euros, 7,5 vezes superior ao das restantes empresas (200 mil euros). No segmento de Private Equity, o EBITDA médio sobe para 5 milhões de euros, 25 vezes mais do que a média nacional.

“O impacto destes investimentos na economia portuguesa é claro e está alinhado com o que acontece noutros países: os investimentos em empresas por fundos de Private Equity e Venture Capital trazem capitalização, melhor gestão, maior escala, mais internacionalização, gerando vendas, rendibilidades e produtividades muito acima das que não recebem este investimento”, afirma Stephan de Moraes. “Imagine-se o impacto que terá na economia quando o Private Equity em Portugal tiver a mesma expressão que tem nas economias mais desenvolvidas: é transformador”, conclui o presidente da APCRI.

O estudo conclui que o capital de risco pode desempenhar um papel determinante na internacionalização da economia portuguesa, e recomenda ao Governo a criação de políticas de incentivo à participação de investidores institucionais privados nos fundos de investimento em empresas, em linha com as prioridades europeias.

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