A escalada dos preços da habitação em Portugal continua a acelerar e já ultrapassa os 200 mil euros em quase 50 concelhos. O valor mediano por metro quadrado atingiu 1.923 euros nos 12 meses terminados em junho deste ano, uma subida de 15,8% face ao mesmo período de 2024, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Apenas no segundo trimestre de 2025, o preço mediano chegou aos 2.035 euros por metro quadrado, o que representa um salto homólogo de 19%.
De acordo com o levantamento publicado pelo Jornal de Negócios, os aumentos mais expressivos continuam concentrados nos grandes centros urbanos e nas suas periferias. O número de concelhos com preços superiores a 2.000 euros por metro quadrado passou de 33 para 47 em apenas um ano. Isto significa que, em localidades como Montijo, Barreiro, Seixal e Setúbal, o custo de uma habitação com 100 metros quadrados — a média nacional — ultrapassa agora os 200 mil euros.
Lisboa mantém-se como o concelho mais caro do país, com o preço mediano a superar os 4.500 euros por metro quadrado, mais 322 euros do que há um ano. Este valor traduz-se num custo médio de 450 mil euros por um apartamento de 100 metros quadrados. Logo a seguir surge Cascais, com 4.267 euros por metro quadrado, após uma valorização de 6,1%.
O intervalo entre 3.000 e 4.000 euros por metro quadrado também se expandiu significativamente. Há um ano, apenas três municípios se situavam nesta faixa; agora são oito, incluindo Porto, Funchal, Albufeira, Aljezur e Vila do Bispo. Em contrapartida, entre os municípios mais acessíveis, destaca-se Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, com apenas 203 euros por metro quadrado, registando mesmo uma quebra de 11,4% nos preços.
Os dados revelam que a pressão imobiliária é especialmente forte na Grande Lisboa, na Península de Setúbal, na Área Metropolitana do Porto, no Algarve e, mais recentemente, na Madeira. Na região da capital, nenhum município oferece hoje uma habitação de 100 metros quadrados por menos de 200 mil euros, sendo a Moita a única exceção na Península de Setúbal. Já no Oeste, concelhos como Nazaré e Óbidos atingem também esse patamar.
Na Área Metropolitana do Porto, seis dos 16 municípios já ultrapassam os dois mil euros por metro quadrado — Espinho, Porto, Matosinhos, Maia, Póvoa de Varzim e Vila do Conde — o dobro do registado há um ano. No Algarve, cinco dos 15 concelhos apresentam preços acima dos 300 mil euros para habitações de 100 metros quadrados, e outros sete superam os 200 mil euros.
Na Região Autónoma da Madeira, a valorização é igualmente expressiva: cinco dos 11 concelhos já ultrapassam a fasquia dos dois mil euros por metro quadrado, quando no ano passado apenas o Funchal se encontrava nesse nível. Com o aumento generalizado, o mercado imobiliário português reforça o estatuto de um dos mais pressionados da Europa, acentuando as desigualdades regionais e tornando cada vez mais distante o sonho da casa própria para milhares de famílias.














