O mandato do atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, termina a 31 de dezembro de 2026, e o organismo internacional prepara-se para eleger o seu sucessor, que assumirá funções a partir de 1 de janeiro de 2027. De acordo com a agência ‘Reuters’, já existem vários candidatos declarados e um processo formal de seleção estabelecido.
A corrida ao cargo começará oficialmente quando o Conselho de Segurança, composto por 15 membros, e o presidente da Assembleia Geral, que reúne 193 Estados-membros, enviarem uma carta conjunta a solicitar nomeações. Esta carta deverá ser enviada até ao final do ano, e cada candidato precisa de ser nomeado por um Estado-membro da ONU. A agência noticiosa lembrou que o cargo tem tradição de rotatividade regional. Quando Guterres foi eleito em 2016, caberia à Europa de Leste; agora, a expectativa recai sobre a América Latina, embora diplomatas esperem candidatos de outras regiões.
Candidatos confirmados
Entre os nomes já anunciados destacam-se Michelle Bachelet, do Chile, que será indicada pelo presidente Gabriel Boric. Bachelet, primeira mulher a presidir ao país sul-americano, foi Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos entre 2018 e 2022 e diretora executiva da ONU Mulheres entre 2010 e 2013. A Costa Rica anunciou a nomeação de Rebeca Grynspan, antiga vice-presidente e economista de 69 anos, atualmente secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Rafael Grossi, veterano diplomata argentino e diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica desde 2019, também confirmou a sua candidatura. De acordo com a ‘Reuters’, estes candidatos refletem experiência política e diplomática de destaque.
Processo de seleção
O Conselho de Segurança realiza votações secretas, conhecidas como “enquetes”, até alcançar um consenso sobre o candidato a recomendar à Assembleia Geral. Cada membro do Conselho pode encorajar, desencorajar ou não ter opinião sobre os candidatos, enquanto os cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, China e França — têm poder de veto e devem aprovar a escolha. Historicamente, são necessárias várias votações informais para chegar a um consenso. O Conselho de Segurança adota depois uma resolução, tradicionalmente à porta fechada, recomendando a nomeação à Assembleia Geral, que precisa de nove votos favoráveis e nenhum veto. A aprovação final pela Assembleia Geral é vista como um atestado da escolha.
Transparência e critérios exigidos
As Nações Unidas têm trabalhado para tornar o processo mais transparente. Em setembro de 2025, a Assembleia Geral determinou que cada candidato deve apresentar uma declaração de visão quando for formalmente nomeado, a qual será publicada no site da ONU. Além disso, os candidatos devem divulgar as suas fontes de financiamento e suspender funções em cargos da ONU durante a campanha para evitar conflitos de interesse. Segundo a ‘Reuters’, estas medidas visam tornar a seleção mais clara e justa.
Funções e desafios do secretário-geral
A Carta da ONU define o secretário-geral como “chefe administrativo” do organismo, desempenhando funções de diplomata, advogado, funcionário público e diretor executivo. Atualmente, António Guterres supervisiona mais de 30.000 funcionários civis e 11 operações de manutenção da paz, com cerca de 60.000 militares e polícias. Apesar de não poder autorizar sanções ou uso de força militar, o cargo mantém relevância diplomática e política global.
Primeira mulher na liderança?
Até hoje, nenhuma mulher ocupou o cargo de secretário-geral da ONU. A Assembleia Geral tem incentivado os Estados-membros a nomearem candidatas mulheres, sublinhando a importância de quebrar esta barreira histórica na organização.














