A UE quer comprar e reservar matérias-primas essenciais para garantir o fornecimento de minerais e metais para indústrias que vão desde a Defesa até às marcas automóveis. A A proposta, de acordo com o jornal ‘POLITICO’, faz parte de um novo plano de trabalho anual apresentado esta terça-feira e projetado para atender ao “momento de independência da Europa”.
A medida — criar um Centro de Matérias-Primas Críticas para “monitorizar, comprar em conjunto e guardas esses minerais, que são tão essenciais para a nossa soberania industrial” — faz parte de um plano de 2026 repleto de ações para sustentar a independência do bloco.
“A nossa ordem regional e global está a ser redesenhada. E a Europa precisa lutar pelo seu lugar num mundo onde algumas grandes potências são ambivalentes ou hostis a nós”, disse a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, ao Parlamento Europeu esta terça-feira.
A China — que domina o fornecimento de minerais essenciais — anunciou no início deste mês amplos controlos à exportação de terras raras e as suas matérias-primas, alegando questões de segurança nacional, o que gerou preocupações na indústria. O chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic, vai reunir-se esta terça-feira com o seu homólogo chinês para discutir um caminho a seguir.
Como parte do seu grande plano para diversificar o fornecimento de minerais da China, revelado em 2023, o executivo da UE já havia anunciado planos para aumentar o monitorização e intensificar as compras e stocks conjuntos.
“Além das matérias-primas, a Europa deve estar no controlo das tecnologias críticas que moldarão a economia do amanhã”, apontou Von der Leyen sobre os planos de 2026 — citando mudanças em setores como baterias, nuvem, inteligência artificial e materiais avançados, além de planos para um critério “Made in Europe” para produtos sensíveis em compras públicas.
Citando a necessidade de uma Europa “soberana e independente”, a Comissão organizou o seu plano de trabalho para 2026 em seis títulos: prosperidade sustentável e competitividade; defesa e segurança; modelo social e inovação; qualidade de vida; democracia e Estado de direito; e engajamento global.
Entre as medidas para 2026 estão uma nova “Lei Europeia de Produtos”, uma atualização das regras de compras públicas, novas propostas gerais para desregulamentação de impostos e energia, um pacote anticorrupção e um plano de ação contra o cyberbullying.
O relatório também incluiu uma lista de 25 projetos de lei que o executivo da UE planeia aprovar no próximo ano, num esforço para reduzir a burocracia. A UE está numa jornada para simplificar a sua legislação e tornar-se mais competitiva devido à intensa pressão da indústria e das capitais europeias.











