O distanciamento social da população, nomeadamente através de quarentena, deverá permitir evitar 50 mil mortes em Portugal. A conclusão é apontada pelo jornal Expresso, com base num estudo realizado por epidemiologistas do Imperial College sobre o impacto da redução do contacto social em 202 países.
Em Portugal, se toda a população mantiver os contactos reduzidos em 40%, e os idosos em 60%, a estimativa dos investigadores britânicos para o final da epidemia (daqui a muitos meses), é de cerca de 17 mil mortes e de 4,1 milhões de infectados. Este cenário implica uma estratégia de mitigação, em que são aplicadas medidas ligeiras de contenção, sem restringir por completo o contacto social e mantendo alguns serviços em funcionamento.
Sem nenhuma medida, indica o Expresso, os investigadores apontam para 74 mil vítimas mortais em Portugal e 7,4 milhões de infectados.
No extremo oposto, surgem as chamadas estratégias de supressão, mais intensas e mais semelhantes com aquilo que se passa em Portugal actualmente. Neste caso, se estiverem em vigor durante apenas aproximadamente três meses e garantirem um nível de distanciamento social de 75% em toda a população, o número de casos baixa significativamente (3800 mortes e 700 mil infectados).
Isso permitiria aos sistemas de saúde dar a resposta adequada, por exemplo. No entanto, em vez de adquirirem imunidade, grande parte da população susceptível de ser infectada mantém o risco. Se as medidas forem levantadas, pode haver nova onda de contágio.
Pedro Simas, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM), acredita que manter estes números baixos até ao fim da epidemia «é irrealista». Os tais três meses não seriam suficientes. Seria necessário prolongar muito tempo o estado de emergência até que surgisse uma vacina.
«Nenhum país estava preparado para isto. Mesmo que as medidas de contenção e as prestações do SNS sejam perfeitas, infelizmente, vai haver muitas fatalidades», afirma o especialista.
Gabriela Gomes, matemática especialista em epidemiologia da Escola Superior de Medicina Tropical de Liverpool e membro do Centro de Matemática da Universidade do Porto, considera que os números finais em Portugal dependem muito do que se fizer agora. Citada pela mesma publicação explica que «podemos conseguir acompanhar esta curva de supressão, mas é preciso manter as medidas».











