Um avião de reconhecimento militar russo Il-20M foi intercetado sobre o Mar Báltico por dois caças alemães Eurofighter, que descolavam da sua base em Rostock-Laage, no passado fim de semana. No Quartel-General Marítimo da NATO, em Rostock, ninguém duvida que tal continuará a acontecer, o que está a obrigar a aliança atlântica a definir uma resposta a estas sucessivas provocações russas.
Na Alemanha, o debate está aceso e há vozes que clamam por uma resposta militar: é o caso do deputado democrata-cristão Jürgen Hardt, membro da delegação alemã à Assembleia Parlamentar da NATO, que está convicto de que os caças russos devem ser combatidos militarmente em caso de novas violações deliberadas do espaço aéreo em território da NATO. O regime russo precisa de “um sinal claro de paragem”, defendeu. “Só uma mensagem clara à Rússia de que toda a violação militar da fronteira será respondida com meios militares, incluindo o abate de caças russos sobre território da NATO, será eficaz. A alternativa seria que a lógica russa de guerra continuasse a acelerar. Agora são as violações do espaço aéreo, em breve o bombardeamento de alvos individuais e, em seguida, os soldados russos”, alertou Hardt sobre os próximos movimentos de Putin.
O inspetor-geral das Forças Armadas alemãs, Carsten Breuer, destacou o jornal espanhol ‘ABC’, indicou ainda que “uma coisa é clara para mim: no final, provavelmente teremos de utilizar drones contra drones”. Dado que a Rússia está a utilizar drones contra a Ucrânia e, na sua opinião, a defesa eficaz “só é possível numa combinação de diferentes capacidades”, a Bundeswehr, que até agora tem sido amplamente indefesa a este respeito, está a adquirir um grande número de diferentes tipos de drones que podem atingir alvos em grande número ou procurar alvos precisos com o apoio da IA.
O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, abordará a questão da defesa com drones na Conferência de Ministros do Interior, realizada em outubro em Munique. “Colocaremos o tema em destaque na agenda com um objetivo claro: consolidar responsabilidades entre os governos federal e estadual, desenvolver novas capacidades de defesa e alinhar a defesa policial e militar com drones.”
Vários Governos da Europa de Leste apelaram também a uma resposta decisiva às crescentes provocações russas. “A fronteira nordeste da NATO não está a ser testada sem motivo”, alerta o ministro da Defesa da Lituânia, Dovile Sakaliene, que defendeu uma resposta semelhante à da Turquia, que em 2015 abateu impiedosamente um caça russo que violou o seu espaço aéreo durante 17 segundos. Desde então, a Rússia nunca mais violou o espaço aéreo turco.
O presidente checo, Petr Pavel, também considerou as provocações russas “irresponsáveis” e sublinhou que as concessões ao agressor “não são possíveis”. “Temos de reagir, incluindo o possível abate de aeronaves russas”, disse.
Nico Lange, da organização da Conferência de Segurança de Munique, alertou que “ou abatemos aviões e drones russos que violam o nosso espaço aéreo, ou enfrentamos outras consequências, como o cancelamento de vistos diplomáticos russos ou a detenção de navios da frota paralela”. E de Inglaterra, o ex-ministro da Defesa Ben Wallace pediu uma linha muito mais dura contra a Rússia e que Putin seja confrontado com um “dilema estratégico”.
A Estónia, no entanto, apelou à cautela e manifestou preocupação com o perigo de uma situação descontrolada. Em primeiro lugar, o ministro da Defesa, Hanno Pevkur, pediu aos aliados que não discutam publicamente métodos para dissuadir a Rússia da NATO. “Peço-lhes que compreendam que tais assuntos não são discutidos publicamente, o que faremos em conjunto e com os nossos aliados”, solicitou, acrescentando que “posso confirmar a todos que a Estónia é capaz de responder a potenciais ameaças”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Margus Tsahkna, sublinhou que “a NATO tem as suas próprias regras e análises de ameaças para o uso da força”, salientando que “abater os aviões de guerra russos invasores significaria levar um conflito militar real a um novo patamar. Não há base para isso, porque nós, a NATO, temos a situação sob controlo”. “O objetivo da NATO é, acima de tudo, prevenir ataques reais, frustrá-los e demonstrar que a situação está controlada. E foi exatamente isso que fez”, apontou.














