Denúncia assinada por oito docentes: professor catedrático do Técnico é acusado de assédio moral

Em causa está um docente do Departamento de Engenharia Mecânica, denunciado em fevereiro último numa carta assinada por oito professores do mesmo departamento, todos com mais de 20 anos de carreira, que denunciaram assédio laboral de natureza moral

Revista de Imprensa
Setembro 1, 2025
9:35

O professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST), Paulo Martins, foi denunciado por oito docentes da mesma instituição por assédio moral sistemático ao longo dos últimos 25 anos, revelou esta segunda-feira o jornal ‘Público’.

Em causa está um docente do Departamento de Engenharia Mecânica, denunciado em fevereiro último numa carta assinada por oito professores do mesmo departamento, todos com mais de 20 anos de carreira, que denunciaram assédio laboral de natureza moral.

Manuel Heitor, atualmente o catedrático mais antigo do IST, garantiu ao jornal diário que apoiou “este grupo de pessoas a irem para a frente” com a denúncia, lembrando ter ouvido falar de “problemas éticos” sobre o professor em causa. “Isso era referido. Só que nós não temos as provas. São os visados que têm as provas e têm de vir pôr isto às claras”, frisou. “É preciso muita coragem para ir para a frente com uma coisa destas. Já podia ter acontecido há muitos anos, mas as pessoas têm medo de represálias internas”, apontou.

O antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (entre 2015 e 2022) recordou que o professor em questão “não deixava que os professores progredissem, para ser o único professor catedrático”: “A progressão na carreira depende de pareceres dos professores mais seniores. A vida académica é muito hierarquizada. Pessoas que querem ter um poder único não deixam os outros progredirem e exercem o monopólio, sobretudo em áreas científicas que só têm um professor catedrático, como esta.”

Os oito signatários da denúncia – Artur Barreiros, Bárbara Gouveia, Elsa Henriques, Inês Pires, Luís Alves, Paulo Peças, Pedro Rosa e Rui Baptista – relataram comportamentos como controlo e bloqueio da progressão na carreira dos docentes; controlo e bloqueio da aprovação de licenças sabáticas; limitações no acesso dos docentes a recursos destinados à investigação científica e ao ensino; desautorização e desacreditação em público; impedimento dos docentes de trabalhar em certas áreas científicas ou em certos projetos de investigação.

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