A economia foi obrigada a abrandar, milhares de negócios encerraram portas, há empresas a despedir colaboradores e outras que não sabem como vão pagar as contas. O capitalismo foi posto em pausa pelos próprios governos, que colocam a saúde dos cidadãos acima de qualquer outra prioridade. Mas será que, no fim da pandemia, será possível regressar ao sistema em vigor?
Segundo nota Sebastian Buck, co-fundador da Enso, era considerado radical, até há apenas algumas semanas, pensar na possibilidade de a produção de bens de luxo ser redireccionada para o fabrico de produtos essenciais, como é o caso de máscaras ou desinfectante. Era também considerado radical que os CEOs das empresas dedicassem os seus esforços à crise que a sociedade, em todo o Mundo, atravessa.
No mesmo sentido, ninguém imaginava (ou quase ninguém) que restaurantes de fine dining passassem a servir refeições a quem não pode pagar por alimentos neste momento. Seria radical, continua o empresário num artigo publicado na Fast Company, imaginar que os aviões estivessem em terra e que a poluição do planeta tivesse caído em 50% em apenas um mês.
No entanto, todos estes cenários já não são hipotéticos. Tornaram-se realidade no espaço de alguns dias e aquilo que era radical transformou-se na norma. Não é apenas algo aceite pelos consumidores. É algo obrigatório, imposto em alguns casos pela força da lei.
Segundo Sebastian Buck, as empresas têm de perceber de que forma podem navegar este estranho mundo novo. O primeiro passo será ouvir e ajudar, colocando no topo das preocupações o bem-estar colectivo – tanto físico como emocional ou económico. Depois, chega a fase de reconstrução.
«Teremos de reconstruir carreiras, equipas, empresas e comunidades», garante Sebastian Buck. A questão reside na forma como decorrerá essa reconstrução: agora que as populações viram o que é possível fazer quando é mesmo necessário, irão exigir às companhias um novo tipo de funcionamento. «Depois de todas as mortes, falências, resgates governamentais e sonhos destruídos, a sociedade não cairá de novo para onde estava antes do COVID-19.»
Gerar valor real para o Mundo – e não apenas para os accionistas – será a nova exigência. Os clientes, funcionários e demais stakeholders não tolerarão falta de empatia ou noção de como o Mundo está interligado, garante a Fast Company: «O contrato social que se aplica ao capitalismo foi reescrito».
Sebastian Buck considera, porém, que há um lado positivo a frisar. Quando tudo acabar e for tempo de reanimar a economia, teremos sobrevivido a uma ameaça existencial através do poder de uma colaboração global sem precendentes.














