Covid-19. Banco de Portugal admite mais medidas de apoio às famílias

O regulador está a estudar outras medidas para que o sector possa injectar mais dinheiro na economia e ajudar os portugueses.

Revista de Imprensa

O Banco de Portugal (BdP) aliviou o travão no crédito pessoal, permitindo à banca ajudar as famílias a superarem a crise provocada pela pandemia da Covid-19. Agora, segundo o administrador do BdP, o regulador está a estudar outras medidas para que o sector possa injectar mais dinheiro na economia e ajudar os portugueses.

Em entrevista ao “Jornal de Negócios”, Luís Laginha de Sousa revelou que, apesar de estarmos «perante um impacto muito agudo, muito severo», a «convicção do Banco de Portugal é a de que será temporário». «Vamos ter efeitos sérios, mas naturalmente tenderão a esbater-se no futuro e haverá, seguramente – é a nossa convicção –, um regresso à normalidade. Temos de ter medidas que possam fazer face àquilo que são os desafios de curto prazo, mas não deixar de ter também muito claro o que são regras de funcionamento que devem existir no futuro», disse.

Sobre o facto de o BdP ter decidido flexibilizar, por exemplo, os critérios nos contratos de crédito pessoal, realçou que «é um contributo» dentro daquilo que foi a avaliação que o regulador fez e que considerou «que era razoável». «É um contributo de flexibilização para permitir que as instituições financeiras, sem deixarem de fazer a análise que têm de fazer, se entenderem que há margem para fazer essa concessão de crédito, que não seja por causa da recomendação macroprudencial que deixem de disponibilizar crédito aos cidadãos para que eles possam fazer face àquilo que é a utilização prevista para esse crédito», sublinhou.

«Devemos flexibilizar o que for possível dentro dos instrumentos que existem, mas não devemos desancorar os critérios de concessão de crédito daquilo que são critérios prudentes porque haverá um pós-Covid-19», acrescentou.

No futuro,  «iremos analisar os instrumentos de capital que existem. Há um outro ‘buffer’ que existe e que iremos analisar e ver se, pelos canais próprios e no momento próprio, faz sentido algum ajustamento». «Há um conjunto de regras de utilização desses ‘buffers’ que dependem do Mecanismo Único de Supervisão e há determinado tipo de regras que têm que ser definidas centralmente. Depois há ‘buffers’ que estão do lado da autoridade macroprudencial nacional, o Banco de Portugal. [Cada autoridade] tem de analisar e depois seguir os circuitos próprios. Estamos naturalmente a analisar todas as hipóteses de flexibilidade que façam sentido neste contexto», adiantou o administrador do BdP.

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