O Partido Socialista instala esta terça-feira o novo Conselho Estratégico (CEPS), um órgão consultivo composto por 75 personalidades das mais diversas áreas da vida pública portuguesa, e que hoje tem a sua primeira reunião oficial. A criação deste conselho surge num momento em que o PS, liderado por José Luís Carneiro, procura reposicionar-se politicamente após ter sido relegado para a terceira força parlamentar, ultrapassado pelo Chega nas últimas legislativas. A iniciativa visa dotar o partido de pensamento estratégico estruturado, multidisciplinar e orientado para o longo prazo, com vista à formulação de propostas programáticas sólidas para preparar o futuro do país até 2050.
Segundo o documento orientador do CEPS, o novo órgão tem como missão “criar pensamento político estratégico, sustentado em evidência, inovação e diálogo com a sociedade”, funcionando como um ponto de encontro entre política e conhecimento, entre experiência e inovação, e entre diferentes gerações. Com este “laboratório de ideias”, o PS pretende adquirir uma capacidade prospetiva capaz de antecipar desafios emergentes e propor soluções eficazes para uma sociedade em constante transformação.
Entre os membros do CEPS encontram-se figuras históricas do partido, ex-governantes, académicos, empresários e independentes de reconhecido mérito. Estão confirmados nomes como Eduardo Marçal Grilo, Bernardo Ivo Cruz, Tiago Brandão Rodrigues e Manuel Caldeira Cabral, todos antigos ministros socialistas. A estes juntam-se ainda personalidades como Maria de Lurdes Rodrigues, José Vera Jardim, Alberto Costa, Augusto Santos Silva e Eduardo Ferro Rodrigues, além do diplomata Francisco Seixas da Costa. Também estão representadas instituições académicas, com os reitores António Sousa Pereira (Universidade do Porto) e Rui Vieira de Castro (Universidade do Minho), bem como o professor catedrático António Fernandes Silva. Do setor empresarial participam José António Barros, antigo presidente da Associação Empresarial Portuguesa, e Carlos Vinhas Pereira, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa. A vertente cultural é assegurada por nomes como o coreógrafo José Manuel Castanheira, os maestros Ferreira Lobo e Vítor Matos, e a ex-diretora artística do Centro Cultural de Belém, Aida Tavares.
O trabalho do CEPS será estruturado em torno de sete áreas estratégicas, consideradas fundamentais para o futuro de Portugal e do mundo: transição demográfica; revolução digital e inteligência artificial; sustentabilidade e clima; energia e recursos naturais; soberania alimentar; geopolítica, segurança e defesa; e democracia, cultura e cidadania. Estes eixos refletem, segundo a nova direção socialista, a necessidade de respostas transversais e estruturadas às profundas transformações em curso a nível nacional e internacional.
O conselho reunirá trimestralmente, produzirá relatórios e cadernos temáticos e organizará uma conferência anual dedicada à estratégia partidária. A primeira reunião tem lugar hoje, marcando o arranque formal deste novo órgão. Para José Luís Carneiro, o CEPS representa um sinal inequívoco de abertura do partido à sociedade civil e de compromisso com uma nova forma de fazer política: mais informada, mais participada e orientada para o futuro. “Pensar antes de agir, ouvir antes de decidir, propor antes de reagir” é o lema que norteia os trabalhos deste fórum, que se pretende como motor de renovação ideológica do PS.
Com esta aposta, Carneiro pretende reconstruir a força programática e ideológica do partido, reforçando a ligação à sociedade e colocando o conhecimento no centro da ação política. A ambição é clara: preparar o PS para enfrentar os desafios do século XXI com soluções sustentadas, inovadoras e em sintonia com os princípios do socialismo democrático.




