O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro negou esta sexta-feira qualquer intenção de deixar o Brasil, reagindo à mais recente operação da Polícia Federal (PF), que resultou na imposição de medidas restritivas por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em declarações aos jornalistas, Bolsonaro considerou que está a ser vítima de “perseguição política” e classificou a decisão judicial como uma “suprema humilhação”.
“Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”, afirmou o ex-presidente, rejeitando as suspeitas de que pudesse estar a planear uma fuga. Afirmou ainda: “Não tenho dúvidas de que é perseguição”, referindo-se à operação policial desta sexta-feira, que o incluiu como alvo e determinou buscas na sua residência em Brasília.
A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes e inclui a obrigatoriedade do uso de pulseira eletrónica, recolher domiciliário obrigatório entre as 19h00 e as 7h00, inclusive aos fins de semana, e a proibição de manter contacto com outros investigados, com diplomatas e de utilizar redes sociais. Moraes sustenta que Bolsonaro atuou em articulação com o filho, Eduardo Bolsonaro, para interferir em processos judiciais e fez declarações públicas que associavam uma eventual anistia à suspensão de sanções económicas dos EUA ao Brasil.
Durante a operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente, os agentes da Polícia Federal encontraram cerca de 14 mil dólares (aproximadamente 12.740 euros) e 8 mil reais (cerca de 1.360 euros) em dinheiro vivo. Também foi localizado uma pendrive escondida na casa de banho, que será agora analisada pela polícia científica. Bolsonaro confirmou a apreensão e declarou: “Tem recibo do Banco do Brasil”.
Embora não seja crime manter dinheiro em casa, os valores superiores a 10 mil dólares devem ser declarados à Receita Federal brasileira quando atravessam fronteiras, o que poderá vir a ter relevância no âmbito da investigação em curso. Esta apura suspeitas de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ameaça à soberania nacional.
A defesa de Bolsonaro afirmou, em comunicado, ter recebido as medidas com “surpresa e indignação”, sublinhando que o ex-presidente “sempre cumpriu as determinações da Justiça”. A nota reforça que não existe qualquer elemento que justifique a imposição de tais medidas restritivas.
Os filhos de Bolsonaro também reagiram publicamente. O senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro acusaram Alexandre de Moraes de “abuso de autoridade” e de agir com “ódio político”, reiterando a inocência do ex-presidente e denunciando o que consideram uma escalada repressiva contra figuras da oposição.
As medidas impostas por Moraes surgem num momento em que o cerco judicial a Bolsonaro se intensifica. A acusação de que estaria a planear evadir-se do território nacional — com rumores de que procuraria asilo diplomático — foi veementemente negada pelo ex-presidente, que se disse alvo de uma tentativa de destruição da sua imagem pública.
“É uma suprema humilhação. Não roubei, não matei, não fiz nada de errado”, declarou Bolsonaro, visivelmente abalado, numa curta intervenção aos jornalistas. O ex-presidente mostrou-se determinado a resistir judicial e politicamente ao que classifica como “perseguição”.




