Grávida da Murtosa: testemunha principal acusa procuradora de mentir

O testemunho de Octávio foi, para o tribunal, credível e genuíno, pelo que não foi dado como provado o apagar dos vestígios

Revista de Imprensa

A principal testemunha da acusação no caso do alegado homicídio da grávida da Murtosa acusou a procuradora do caso de mentir, indicou esta quinta-feira o ‘Correio da Manhã’. Octávio, responsável pela limpeza do apartamento da Torreira, onde terá acontecido o homicídio de Mónica Silva, terá afirmado à procuradora que usou lixívia pura na limpeza, mais concretamente hipoclorito de sódio.

No entanto, em tribunal, apresentou outra versão que foi valorizada pelos juízes e jurados: garantiu que elementos da Polícia Judiciária estiveram várias horas com ele e foi forçado a mentir – acusou ainda a magistrada de não lhe ter lidos as declarações anteriores e que as retificações no despacho não tinham sido feitas por ele.



O testemunho de Octávio foi, para o tribunal, credível e genuíno, pelo que não foi dado como provado o apagar dos vestígios. Isto apesar de, segundo o jornal diário, na casa faltar um tapete e ter sido limpa de forma exaustiva, a ponto de fazer desaparecer as marcas dos mosaicos – nem um fio de cabelo havia nos canos da casa de banho.

“Instado a descrever que limpeza realizou ao apartamento da Torreira, revelou que não sabia concretizar a data em que tal ocorreu, referindo que numa ocasião foi à Torreira limpar o apartamento (limpou o pó, varreu o chão e o tapete da sala, limpou o chão com detergente)”, refere acórdão, contrariando a tese que Octávio terá visto roupa de mulher na casa, mas sim roupa de criança, que pertenceria à filha de Fernando Valente, o principal suspeito do caso e que viria a ser ilibado de todos os crimes.

Depois da decisão do Tribunal de Aveiro, Fernando Valente regressou a Vila Nova de Gaia, onde passou os últimos meses em prisão domiciliária: as autoridades mantêm presença na zona, sendo que um carro da GNR realiza regularmente uma patrulha nas ruas perto do apartamento.

A defesa da família de Mónica Silva, assegurada por António Falé de Carvalho, vai agora recorrer para o Tribunal da Relação do Porto. “A convicção formulada pelo Tribunal Judicial de Aveiro não está de acordo com a prova produzida em audiência e julgamento. Vamos recorrer”, referiu o advogado.

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