A polícia realizou esta quarta-feira buscas na sede do partido de extrema-direita de Marine le Pen, o Rally Nacional (RN), no âmbito de uma investigação sobre suspeita de financiamento ilegal. “Todos os e-mails, documentos e registos contabilísticos do principal partido da oposição foram apreendidos, mas ainda não sabemos as acusações exatas”, disse Jordan Bardella, presidente do RN e sucessor de Le Pen, na rede social ‘X’.
Les perquisitions, menées dans des conditions hors norme, visent de prétendus “prêteurs habituels”. Une incrimination floue, sans définition claire, déjà instruite par la Commission des comptes de campagne.
Soupçonner d’“exercice illégal de la profession de banquier” nos… https://t.co/l8zBYTuqUr
— Jordan Bardella (@J_Bardella) July 9, 2025
De acordo com o eurodeputado, a busca tem como alvo “a atividade eleitoral do partido” — tanto em campanhas regionais como presidenciais, legislativas e europeias — e consideram a operação levada a cabo pela brigada financeira e anticorrupção da polícia uma manobra de “assédio”. “Este é um ataque grave ao pluralismo e à alternância democrática. Nunca antes um partido da oposição foi alvo de um ataque tão cruel durante a Quinta República”, queixou-se Bardella.
A polícia chegou às 8h50 (horário local), acompanhada por dois juízes de instrução. Segundo a imprensa local, a investigação está relacionada com o financiamento das campanhas eleitorais do partido de extrema-direita através de empréstimos de ativistas ricos. Há também suspeitas de faturas inflacionadas para aumentar os reembolsos estatais ao partido.
A investigação, que ainda não resultou em qualquer detenção, foi aberta a 3 de julho, informou o ‘Le Monde’, e centra-se no período entre 2021 e 2024, e aprofundou os graves problemas legais do RN em relação às suas contas, uma vez que ocorre poucos meses depois de o partido e os seus principais dirigentes, incluindo Marine le Pen, terem sido condenados por utilização fraudulenta de 4,2 milhões de euros em fundos públicos do Parlamento Europeu.
Le Pen foi condenada a quatro anos de prisão, dois dos quais transitados em julgado, embora os pudesse cumprir em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, e cinco anos de inabilitação para exercer cargos públicos, com efeitos imediatos.
No início deste mês, o ‘Le Monde’ noticiou que há uma outra investigação ao RN e a outros partidos de extrema-direita por possíveis novas irregularidades financeiras no Parlamento Europeu. Um novo relatório da Direção-Geral das Finanças do Parlamento Europeu acusou o antigo grupo de extrema-direita Identidade e Democracia (ID) — que funcionou de 2019 a 2024 e do qual o RN era membro — de ter distribuído ilegalmente mais de 4,3 milhões de euros em donativos a organizações em vários países, sem respeitar as regras de utilização destes fundos.




