Polícia francesa passa a pente fino sede do partido de extrema-direita de Le Pen por suspeitas de financiamento ilegal

Busca tem como alvo “a atividade eleitoral do partido” — tanto em campanhas regionais como presidenciais, legislativas e europeias

Francisco Laranjeira

A polícia realizou esta quarta-feira buscas na sede do partido de extrema-direita de Marine le Pen, o Rally Nacional (RN), no âmbito de uma investigação sobre suspeita de financiamento ilegal. “Todos os e-mails, documentos e registos contabilísticos do principal partido da oposição foram apreendidos, mas ainda não sabemos as acusações exatas”, disse Jordan Bardella, presidente do RN e sucessor de Le Pen, na rede social ‘X’.

De acordo com o eurodeputado, a busca tem como alvo “a atividade eleitoral do partido” — tanto em campanhas regionais como presidenciais, legislativas e europeias — e consideram a operação levada a cabo pela brigada financeira e anticorrupção da polícia uma manobra de “assédio”. “Este é um ataque grave ao pluralismo e à alternância democrática. Nunca antes um partido da oposição foi alvo de um ataque tão cruel durante a Quinta República”, queixou-se Bardella.

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A polícia chegou às 8h50 (horário local), acompanhada por dois juízes de instrução. Segundo a imprensa local, a investigação está relacionada com o financiamento das campanhas eleitorais do partido de extrema-direita através de empréstimos de ativistas ricos. Há também suspeitas de faturas inflacionadas para aumentar os reembolsos estatais ao partido.

A investigação, que ainda não resultou em qualquer detenção, foi aberta a 3 de julho, informou o ‘Le Monde’, e centra-se no período entre 2021 e 2024, e aprofundou os graves problemas legais do RN em relação às suas contas, uma vez que ocorre poucos meses depois de o partido e os seus principais dirigentes, incluindo Marine le Pen, terem sido condenados por utilização fraudulenta de 4,2 milhões de euros em fundos públicos do Parlamento Europeu.

Le Pen foi condenada a quatro anos de prisão, dois dos quais transitados em julgado, embora os pudesse cumprir em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, e cinco anos de inabilitação para exercer cargos públicos, com efeitos imediatos.

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No início deste mês, o ‘Le Monde’ noticiou que há uma outra investigação ao RN e a outros partidos de extrema-direita por possíveis novas irregularidades financeiras no Parlamento Europeu. Um novo relatório da Direção-Geral das Finanças do Parlamento Europeu acusou o antigo grupo de extrema-direita Identidade e Democracia (ID) — que funcionou de 2019 a 2024 e do qual o RN era membro — de ter distribuído ilegalmente mais de 4,3 milhões de euros em donativos a organizações em vários países, sem respeitar as regras de utilização destes fundos.

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