Rússia propõe proibição total das exportações de gasolina para conter subida de preços

Atualmente, as restrições às exportações de gasolina aplicam-se apenas a uma parte limitada das vendas feitas por revendedores. As grandes companhias petrolíferas mantêm ainda licenças para exportar combustível, uma situação que, segundo a FAS, poderá deixar de ser viável, face à escalada dos preços.

Pedro Gonçalves
Junho 26, 2025
16:20

A Rússia poderá vir a implementar uma proibição total das exportações de gasolina, numa tentativa de controlar os preços elevados dos combustíveis no mercado interno. A proposta foi avançada pelo Serviço Federal Antimonopólio da Rússia (FAS), segundo revelaram três fontes do setor à agência Reuters, esta quinta-feira.

Atualmente, as restrições às exportações de gasolina aplicam-se apenas a uma parte limitada das vendas feitas por revendedores. As grandes companhias petrolíferas mantêm ainda licenças para exportar combustível, uma situação que, segundo a FAS, poderá deixar de ser viável, face à escalada dos preços. Estas restrições em vigor estão previstas até 31 de agosto.

Apesar da proposta, a decisão final cabe ao Governo russo, sendo que o FAS, enquanto entidade reguladora, tem apenas competência para sugerir medidas. Contactado pela Reuters, o organismo recusou comentar o assunto.

Preço interno da gasolina atinge máximo de dois anos
O endurecimento das medidas foi sugerido depois de o preço da gasolina no mercado grossista russo, negociado em bolsa de matérias-primas, ter atingido no início de junho o valor mais alto dos últimos dois anos, fixando-se em cerca de 65.000 rublos por tonelada métrica — aproximadamente 828,55 dólares norte-americanos.

Esta subida acentuada está a preocupar as autoridades russas, que já recorreram, por várias vezes nos últimos dois anos, a proibições temporárias das exportações de gasolina como forma de travar a escassez e conter a inflação dos combustíveis no mercado interno.

Restrições atuais com exceções estratégicas
As limitações atualmente em vigor não abrangem os países da União Económica Eurasiática (UEEA), uma aliança liderada por Moscovo que inclui cinco antigos estados soviéticos. Também estão isentas nações com acordos bilaterais sobre fornecimento de combustível com a Rússia, como é o caso da Mongólia.

Segundo dados do setor, os principais importadores da gasolina russa são Nigéria, Líbia, Tunísia e os Emirados Árabes Unidos.

Esta medida, caso venha a ser implementada, poderá ter impacto nos fluxos comerciais com estes países e agravar o cenário energético global, especialmente num contexto em que os mercados internacionais permanecem instáveis devido a fatores geopolíticos, como a guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais impostas à economia russa.

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