A Europa pretende reduzir a dependência das importações dos recursos minerais, incentivando dessa forma a transformação ecológica e digital. Há 47 projetos estratégicos da UE, que tem como objetivo aumentar a produção de matérias-primas. As tensões e os conflitos geopolíticos, como o da Ucrânia, fizeram com que a UE se apercebesse da sua vulnerabilidade ao depender de apenas um ou até alguns países para obter recursos fundamentais.
A UE pretende agora tornar-se mais autossuficiente ao aumentar a capacidade interna de produção de matérias-primas e diversificar as fontes de abastecimento. Mas como? E a que preço? De acordo com o site ‘Euronews’, a UE identificou 34 matérias-primas críticas, incluindo o lítio, o cobalto, os elementos de terras raras e o magnésio, sendo que muitos têm cadeias de abastecimento de alto risco – por exemplo, 63% do cobalto mundial é extraído na República Democrática do Congo e 100% das terras raras utilizadas nos ímanes permanentes são refinadas na China.
A nova meta estabeleceu que, até 2030, a Europa deve extrair 10% das necessidades anuais da UE, transformar 40% e reciclar 25%. A percentagem de matérias-primas estratégicas provenientes de um único país terceiro para suprir as necessidades anuais da UE deve estar abaixo dos 65%.
O lítio é um elemento crucial para a produção de baterias e os especialistas estimam que entre 3 e 5% das reservas mundiais de lítio estejam sob a cidade checa de Cínovec. A Geomet, empresa privada com participação estatal, está a trabalhar para criar aquilo que diz ser uma cadeia de produção amiga do ambiente. Trata-se de um dos 47 projetos estratégicos selecionados pela Comissão Europeia para aumentar a capacidade interna de produção de matérias-primas estratégicas.
“Iremos extrair quase 3 milhões de toneladas de minério por ano e produzir cerca de 30 mil toneladas de produto final por ano”, afirma Tomas Vrbicky geólogo que trabalha para a Geomet.
A empresa planeia não só extrair o minério, mas também produzir carbonato de lítio, um ingrediente fundamental utilizado na indústria das baterias. É raro uma empresa realizar o processo por completo de forma interna, sem recorrer a países terceiros: os desafios serão muitos e o custo mais elevado.
Quão realistas são os planos da Europa?
Até 2030, a Europa tem como objetivo extrair 10% das necessidades anuais, transformar 40% e reciclar 25%. Stary Jaromir, chefe do departamento do Serviço Geológico checo, duvida que estes objetivos possam ser atingidos em tão pouco tempo. “É um objetivo pouco realista, porque algumas das matérias-primas críticas para a União Europeia não se encontram no continente europeu e não são atualmente extraídas. Neste momento, é impossível garantir que algumas das matérias-primas críticas venham a ser tratadas em quantidades que possam suprir 10% do consumo europeu.”
Também o geólogo Gabriel Zbyněk, do Serviço Geológico checo, indicou que os métodos de exploração mineira, bem como a legislação europeia, evoluíram no que diz respeito à forma como a exploração mineira é supervisionada e controlada. “Estas matérias-primas são realmente essenciais para a UE. E seria um pouco hipócrita dizer que não precisamos de explorações mineiras internas, que o produto pode ser extraído noutro lugar do mundo e que não nos interessa a forma como isso é feito. Sobretudo quando não é no nosso território.”
Toda a extração de minerais implica um certo grau de poluição que, embora não seja totalmente evitável, pode ser minimizado. O desafio que a Europa enfrenta agora é encontrar o equilíbrio certo entre a necessidade de uma indústria menos poluente e socialmente justa e os custos mais elevados que isso implica.






