Presidenciais: Gouveia e Melo apresenta candidatura hoje em Lisboa

A apresentação formal acontece após meses de especulação e silêncio estratégico, e assinala a entrada de uma das figuras mais reconhecidas do espaço público português na corrida a Belém.

Pedro Gonçalves
Maio 29, 2025
7:15

O almirante Henrique Gouveia e Melo vai oficializar esta quinta-feira a sua candidatura à Presidência da República, numa cerimónia marcada para as 19h00 na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa. A apresentação formal acontece após meses de especulação e silêncio estratégico, e assinala a entrada de uma das figuras mais reconhecidas do espaço público português na corrida a Belém.

A informação foi confirmada por fonte oficial da candidatura, que indicou a hora e o local do evento. Gouveia e Melo, antigo Chefe do Estado-Maior da Armada e coordenador da task force da vacinação contra a covid-19, já havia tornado pública a sua intenção de concorrer à Presidência da República no passado dia 14 de maio, em plena campanha para as eleições legislativas antecipadas, durante uma entrevista à Rádio Renascença.

O agora candidato justificou a decisão com a necessidade de estabilidade governativa e com as alterações profundas no contexto internacional. “Esta instabilidade interna está aos olhos de todos nós, portugueses”, afirmou, referindo-se aos sucessivos governos de curta duração e à dificuldade em assegurar uma governação estável.

Para Gouveia e Melo, o mundo mudou significativamente desde 2023. “A guerra da Ucrânia agravou-se, a tensão na Europa também se agravou, e a eleição do senhor Trump como Presidente dos Estados Unidos da América veio alterar a configuração internacional”, declarou, sublinhando que se vive “uma nova tentativa de edificação de uma ordem mundial que pode ser perigosa, ou nos pode afectar de forma significativa”.

Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo nasceu a 21 de novembro de 1960, em Quelimane, Moçambique. Ingressou na Escola Naval em setembro de 1979 e fez uma longa carreira na Marinha, onde passou 22 anos ligado aos submarinos. Liderou a Marinha entre 2020 e 2023, período após o qual optou por passar à reserva, justificando essa decisão com a vontade de recuperar liberdade nos seus “direitos cívicos”.

Antes mesmo de anunciar formalmente a candidatura, Gouveia e Melo começou a traçar os contornos do seu posicionamento político. Em fevereiro, num artigo publicado no semanário Expresso, intitulado Honrar a Democracia, defendeu que o país precisa de um Presidente da República “isento e independente de lealdades partidárias”, recusando que o cargo sirva como “apêndice de interesses partidários”.

O militar na reserva apresentou-se como alguém situado “entre o socialismo e a social-democracia”, com uma firme defesa da “democracia liberal como regime político”. Para Gouveia e Melo, “nenhum Presidente pode ser verdadeiramente ‘de todos’ se estiver claramente associado a uma facção política”, pois isso comprometeria a independência necessária para representar o interesse coletivo.

“O Presidente não está ao serviço dos partidos, está ao serviço dos portugueses e de Portugal”, afirmou no mesmo texto, reforçando que o chefe de Estado deve garantir “a Constituição, a união e a integridade do país” e servir como “poder contrapoder de um sistema democrático equilibrado ao serviço da liberdade, segurança, equidade e prosperidade”.

Apesar de manter algum tabu nos últimos meses, Gouveia e Melo já preparava nos bastidores a estrutura da sua candidatura. Em março, deu entrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial de um pedido para registar como marca o nome “Movimento Gouveia e Melo Presidente”.

A sua entrada formal na corrida presidencial acontece no mesmo dia em que o Conselho Nacional do PSD deverá votar o apoio à candidatura de Luís Marques Mendes, num cenário político cada vez mais dinâmico e competitivo a oito meses das eleições presidenciais de janeiro de 2026.

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