OMS simula surto de doença viral: exercício de preparação para futura pandemia testa resposta de mais de 15 países

Quando foi declarada a pandemia da Covid-19, há cinco anos, o mundo foi apanhado de surpresa: no meio da correria por quarentenas, máscaras e isolamento, houve uma sensação de momentos caóticos

Francisco Laranjeira

A Organização Mundial de Saúde (OMS) realizou recentemente, durante dois dias, um exercício de preparação para uma pandemia, chamado Exercício Polaris. O exercício foi o primeiro teste de um novo mecanismo de coordenação global para lidar com emergências de saúde e simulou um surto de uma doença viral fictícia.

Quando foi declarada a pandemia da Covid-19, há cinco anos, o mundo foi apanhado de surpresa: no meio da correria por quarentenas, máscaras e isolamento, houve uma sensação de momentos caóticos.



E, de certa maneira, foi assim – não há duas doenças exatamente iguais, sendo que a pandemia do coronavírus foi diferente, em aspetos importantes, de qualquer outra coisa que tínhamos enfrentado na memória recente, pelo que era inevitável que houvesse alguns erros. No entanto, as pandemias são apenas uma das possíveis ameaças aos cidadãos de que os Governos devem estar cientes, tal como acontece com ataques terroristas ou catástrofes naturais.

A OMS, enquanto agência global, tem como objetivo reunir vários países e organismos de saúde em todo o mundo para montar uma resposta coordenada no caso de outra emergência de saúde mundial: o exercício Polaris foi uma forma de testar isso.

Mais de 15 países estiveram envolvidos ou a observar o exercício, incluindo Canadá, Dinamarca, Alemanha, Nepal, Paquistão e Ucrânia. Participaram também agências de saúde regionais e globais, incluindo os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) e a UNICEF, totalizando mais de 350 especialistas em saúde global.

“O exercício procurou pôr em prática os procedimentos de resposta interinstitucional às ameaças internacionais à saúde”, afirmou Mariela Marín, vice-ministra da Saúde da Costa Rica, em comunicado. “Processos eficientes de coordenação e interoperabilidade são fundamentais para garantir intervenções atempadas em emergências de saúde.”

Durante o cenário simulado, cada país participante liderou a sua própria resposta local, podendo recorrer à OMS para assistência técnica, apoio de emergência e coordenação de esforços com outros países.

“A Polaris demonstrou a importância crucial de cultivar a confiança antes que uma crise ocorra. A base dos nossos esforços colaborativos é significativamente mais sólida do que nos anos anteriores. Superámos as medidas reativas e estamos agora a antecipar, alinhar e coordenar proativamente os nossos planos de resposta a emergências transfronteiriças”, comentou Soha Albayat, do Qatar, um dos países participantes.

“O Exercício Polaris mostrou o que é possível quando os países operam com urgência e unidade, apoiados por parceiros bem conectados. É um forte sinal de que estamos coletivamente mais preparados do que antes”, salientou Mike Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS.

Ninguém sabe de onde a próxima pandemia virá. Os especialistas estão a observar atentamente a gripe aviária H5N1 à procura de quaisquer sinais de transmissão: ainda nada foi observado, mas seria um forte indicador de um vírus com potencial pandémico. Outro coronavírus também não pode ser excluído.

Claro que pode não ser um vírus. A chamada ‘Doença X’ pode ser um agente patogénico fúngico ou bacteriano – uma possibilidade que alguns defendem estar a ser ignorada, apesar dos alarmes sonoros da resistência antimicrobiana.

Embora não possamos dizer com certeza como será a próxima pandemia, sabemos que ela virá. A mensagem do Exercício Polaris é que, quando isso acontecer, teremos a melhor hipótese se o enfrentarmos juntos como uma comunidade global. “Nenhum país pode enfrentar a próxima pandemia sozinho”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “O Exercício Polaris mostrou que a cooperação global não é apenas possível – é essencial.”

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