O Cartão Azul é um componente central da imigração de mão de obra qualificada para a União Europeia. Dá acesso ao mercado de trabalho europeu a trabalhadores altamente qualificados de países terceiros, mas exige determinados salários mínimos. Esses requisitos são estabelecidos pelos respetivos governos e mudaram significativamente para 2025 em vários países, como mostra um estudo recente da Gisma University of Applied Sciences.
Mas onde os limites salariais mudaram mais?
Portugal, Itália e Croácia foram os países que mais aumentaram os requisitos financeiros para os requerentes do Cartão Azul. Em Portugal, a renda anual exigida foi aumentada em 31% — o maior aumento na UE. Passou de 15.960 para 21.030 euros, mais 5.070 euros.
O segundo lugar neste ranking vai para Itália, onde os requisitos aumentaram 19%, o que corresponde a uma diferença de 6.500 euros em relação ao ano anterior. A Croácia está em terceiro lugar com um aumento de 17%. Em contraste, os requisitos na Bulgária, Roménia e Países Baixos tornaram-se muito mais relaxados. Na Bulgária, a renda mínima foi reduzida em 113%, na Roménia em 94% e nos Países Baixos em 78%.
Bélgica fica com os dois primeiros lugares
O salário mínimo mais alto para o Cartão Azul em 2025 é exigido na Bélgica (Bruxelas): os trabalhadores qualificados aqui devem ganhar 66.377 euros brutos por ano para receber um Cartão Azul. A região belga da Flandres tem regras separadas e segue em segundo lugar com 63.586 euros. Segue-se França em terceiro lugar com 59.700 euros, o Luxemburgo em quarto lugar com 58.968 euros e a Suécia em quinto lugar com 51.997 euros.
No outro extremo da escala, a Bulgária estabelece o limiar mais baixo: aqui, os trabalhadores qualificados só têm de ganhar 9.933 euros brutos por ano — uma redução significativa em comparação com os anteriores 21.132 euros. Roménia (20.782 euros) e Portugal (21.030 euros) estão também entre os países com menores exigências salariais.
“As fortes flutuações dos requisitos de rendimento mínimo para o Cartão Azul refletem as diferentes realidades e estratégias económicas dos países da UE. Enquanto alguns países estão a tentar ativamente atrair mão de obra mais qualificada através da redução dos requisitos, outros dependem de limiares elevados para garantir determinados níveis de competências”, salientou Ramon O’Callaghan, presidente da Gisma University of Applied Sciences.
“O desafio consiste em encontrar um equilíbrio entre a atração de talentos estrangeiros e as exigências do mercado de trabalho nacional. A evolução atual mostra claramente que os países da UE estão cada vez mais a enveredar por vias independentes na política de migração”, concluiu.












