“A economia, as empresas e os trabalhadores precisam de foco dos seus governantes no progresso”, defende o Presidente da AEMinho

A Associação Empresarial do Minho (AEMinho), perante a atual conjuntura política, marcada por sucessivas moções de censura e pela apresentação de uma moção de confiança, voltou a apelar à responsabilidade política, evitando distrações que comprometem o progresso do país.

André Manuel Mendes
Março 6, 2025
11:27

A Associação Empresarial do Minho (AEMinho), perante a atual conjuntura política, marcada por sucessivas moções de censura e pela apresentação de uma moção de confiança, voltou a apelar à responsabilidade política, evitando distrações que comprometem o progresso do país.

O Presidente da AEMinho, Ramiro Brito, começou por alertar para a necessidade de uma avaliação criteriosa dos políticos, sublinhando que a experiência profissional e os princípios éticos devem ser critérios de escolha. “Não podemos viver num país que quer (e bem) políticos que tenham experiência e que venham acrescentar à vida política portuguesa e depois exigirmos que eles, quando chegam ao poder, não tenham histórico. O histórico que nós devemos atentar refere-se à sua carreira profissional, se foi revestida de princípios de ética, de idoneidade e de lisura”, afirmou Brito.



O Presidente da associação criticou a forma como a experiência dos políticos tem sido questionada, especialmente quando se refere à ligação entre as empresas privadas e o Estado. “Se o simples facto de um político ter tido uma empresa que interagiu com outras empresas que se relacionam com o Estado, e, sejamos claros, o número de empresas em Portugal que interagem com o Estado é enorme, então nós vamos reduzir a nossa possibilidade de escolhas para cargos políticos a um número absolutamente irrisório. Pior, vamos contrariar o princípio que nós estamos a defender. Vamos passar a ter políticos de carreira, sem experiência nenhuma, e que, claramente, não irão acrescentar valor ao país”, alertou.

Ramiro Brito também considerou que a exigência de explicações detalhadas sobre a atuação de empresas ligadas ao Primeiro-Ministro era exagerada. “Achamos que faz sentido que o Primeiro-Ministro dê explicações, quando lhes são pedidas, sobre como a sua empresa desenvolveria atividades. A empresa, por si, como uma entidade que é detentora de personalidade jurídica, tem o direito ao sigilo dos seus clientes. Não é exequível exigir a um Primeiro-Ministro que toda a sua família deixe de trabalhar onde trabalhava, para que ele seja Primeiro-Ministro. Portanto, tudo isto foi claramente exagerado e está revestido de um jogo político, onde, na nossa opinião, todas as partes se portaram mal.”

A AEMinho apelou à responsabilidade de todos os partidos políticos, alertando que a instabilidade política está a prejudicar a imagem de Portugal no exterior. “Portugal está a dar uma péssima imagem ao mundo. Ninguém crê num país onde as instituições são sujeitas a este nível de instabilidade e de episódios. Parece que estamos, simplesmente, a ser guiados e levados pelos interesses dos partidos. Isto é mau para o país e é mau para a democracia. Não vai demorar muito tempo para que, se persistimos em denegrir, em escamotear tudo aquilo que é o património positivo do sistema democrático, as pessoas comecem a não acreditar no sistema. E não há nada pior na política e na democracia do que o descrédito popular em relação ao sistema em si”, reiterou Ramiro Brito.

A AEMinho sublinhou que a verdadeira prioridade deve ser o desenvolvimento económico e o fortalecimento das instituições. “A economia, as empresas e os trabalhadores precisam de foco dos seus governantes no progresso, no funcionamento eficiente das instituições e do Estado e no crescimento económico. Crescer é a nossa grande meta e não o conseguiremos fazer com estes constantes atropelos à credibilidade e normal funcionamento das instituições. Rigor com lisura, com foco e espírito de cooperação para que possamos construir um país próspero, onde se viva melhor, capaz de atrair talento e projetar um futuro mais sólido para os nossos filhos.”

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