Hoje é o último dia do cessar-fogo de 42 dias em Gaza. O que se segue?

Este sábado marca o último dia da primeira fase do cessar-fogo de 42 dias entre Israel e o Hamas, um período que trouxe uma pausa nas hostilidades mas deixou inúmeras questões em aberto. O futuro do acordo continua incerto, especialmente no que diz respeito à retirada das tropas israelitas do Corredor Filadélfia, uma faixa estratégica ao longo da fronteira entre o Egito e Gaza.

Pedro Gonçalves

Este sábado marca o último dia da primeira fase do cessar-fogo de 42 dias entre Israel e o Hamas, um período que trouxe uma pausa nas hostilidades mas deixou inúmeras questões em aberto. O futuro do acordo continua incerto, especialmente no que diz respeito à retirada das tropas israelitas do Corredor Filadélfia, uma faixa estratégica ao longo da fronteira entre o Egito e Gaza.

Situado na fronteira sul da Faixa de Gaza, o Corredor Filadélfia é uma faixa de cerca de 14 quilómetros que separa o enclave palestiniano do Egito. A sua importância estratégica tornou-se um dos principais pontos de discórdia nas negociações para a trégua. Estabelecido no âmbito do tratado de paz entre Egito e Israel de 1979, o corredor divide a cidade de Rafah e, desde 2007, tem sido uma rota fundamental para a entrada e saída de bens e pessoas da Faixa de Gaza através do único posto fronteiriço não controlado diretamente por Israel.



Após o Hamas assumir o controlo total de Gaza em 2007, os seus combatentes passaram a gerir o posto de passagem de Rafah e, segundo Israel, utilizaram a fronteira para contrabandear armas e mantimentos através de túneis escavados sob o território egípcio. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, referiu em setembro passado que o Corredor Filadélfia representava “a válvula de oxigénio do Hamas”, sustentando a sua oposição a uma retirada das forças israelitas da região.

O que se segue no cessar-fogo?
Com o fim da primeira fase da trégua, as atenções voltam-se agora para os próximos passos nas negociações. Os representantes israelitas estão atualmente no Cairo para reuniões com mediadores egípcios e do Qatar, enquanto delegações do Hamas estiveram na capital egípcia na semana passada para discutir os desenvolvimentos do cessar-fogo.

De acordo com os termos do acordo, Israel deveria iniciar a retirada das suas tropas do Corredor Filadélfia este domingo, um processo que deveria estar concluído até ao final da próxima semana. No entanto, a posição de Netanyahu, que sempre considerou a presença israelita na área como um “interesse nacional de segurança”, levanta dúvidas sobre se o compromisso será cumprido.

A primeira fase da trégua culminou na quinta-feira com a última troca de prisioneiros e reféns entre as partes envolvidas. No entanto, a continuidade da paz depende de negociações delicadas sobre um possível cessar-fogo permanente e a retirada total das tropas israelitas de Gaza.

Israel retirará mesmo as tropas?
Israel comprometeu-se a abandonar a região até ao 50.º dia da trégua, o que corresponde ao início de março. No entanto, uma recusa em cumprir esse compromisso poderia significar uma violação grave do acordo e aumentar ainda mais as tensões no já frágil cessar-fogo.

Caso a retirada aconteça conforme planeado, isso poderá fortalecer os esforços dos mediadores internacionais para consolidar uma segunda fase do acordo. Tanto Israel como o Hamas têm razões estratégicas para evitar uma nova escalada militar: o Hamas precisa de tempo para recuperar as suas forças, enquanto Israel tem como prioridade a libertação dos reféns ainda sob cativeiro.

Apesar da trégua em vigor, um acordo abrangente continua a ser improvável. Israel insiste que a única solução duradoura passa pelo fim do domínio do Hamas em Gaza e pela desmilitarização do território, condições que o grupo palestiniano rejeita. Desde o início da ofensiva israelita, lançada em resposta ao ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, Gaza foi devastada por 15 meses de intensos combates, resultando na morte de dezenas de milhares de palestinianos e na destruição de vastas áreas do enclave.

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