Guerra da Ucrânia pode acabar em 2025? Há uma estratégia realista para a paz

Após três anos de guerra, Rússia e Ucrânia estabeleceram-se num impasse, mesmo que a batalha esteja a tender ligeiramente a favor de Moscovo neste momento

Francisco Laranjeira

Após três anos de guerra, Rússia e Ucrânia estabeleceram-se num impasse, mesmo que a batalha esteja a tender ligeiramente a favor de Moscovo neste momento.

No entanto, a Rússia sofre mais de mil baixas por dia, entre mortos e feridos, com a Ucrânia com cerca de metade disso – e uma população de apenas um quarto do tamanho, recordou a publicação ’19fortyfive’ – ambos os lados podem decidir que não vale a pena sacrificar tanto sangue por ganhos territoriais mínimos.



O regresso de Donald Trump à Casa Branca também mudou o rumo da conversa, dada a sua ênfase na importância de acabar o mais cedo possível com o conflito. Seguramente, um acordo de paz errado poderia encorajar Putin a reacender a guerra em algum momento após o rearmamento (se for muito brando) ou envenenar permanentemente as relações da Rússia com o Ocidente e talvez até aumentar as chances de guerra entre Moscovo e a NATO (se for muito severo) – ou levar ao derrube de Governo Zelensky na Ucrânia e à instalação de um regime fantoche subserviente a Moscovo (se for muito impaciente/precipitado).

Putin pode também querer prolongar o processo de negociação para ganhar tempo e maiores ganhos territoriais. Trump afirmou que poderia negociar um fim da guerra rapidamente. Mas, para fazer isso, precisará de influência em ambos os lados.

Hora de uma nova estratégia na Ucrânia?

Uma nova estratégia dos EUA e da NATO para a guerra pode dar à Ucrânia uma última boa chance de libertar territórios roubados e ocupados em 2025, mas não necessariamente.

Acabar com a guerra logo, de forma estabilizadora e sustentável, deve ser de facto a principal prioridade. A Ucrânia fez algum progresso nas suas contraofensivas de 2022, mas muito menos em 2023 ou 2024 – está a armar-se e a preparar-se para outra tentativa e talvez haja uma pequena hipótese de que possa ter sucesso com uma abordagem diferente desta vez.

Mas em algum momento de 2025, nas próximas semanas ou após uma possível contraofensiva ucraniana, os Estados Unidos podem priorizar o fim dos combates, mesmo que a Rússia permaneça na posse/controlo de entre 15 e 20% da Ucrânia pré-guerra.

A Ucrânia poderia manter as suas reivindicações políticas sobre os territórios ocupados pela Rússia, mas concordaria em não procurar a sua libertação no campo de batalha. Moscovo concordaria em encerrar a agressão e reconheceria que, como ninguém pode confiar nela daqui para frente, serão necessários fortes mecanismos internacionais para sustentar a segurança de longo prazo da Ucrânia.

Como poderia ser uma nova estratégia dos EUA para a Ucrânia

A estratégia americana deve incluir as seguintes premissas e elementos-chave adicionais:

– A menos que a Ucrânia de alguma forma obtenha grande sucesso numa contraofensiva em 2025, deve ser elaborado para a Ucrânia um programa diferente e mais limitado de assistência armamentista dos EUA e da NATO, enfatizando armas defensivas.

– Esse novo programa deve ser aberto, já que ninguém pode prever se e quando a Rússia vai parar a sua agressão. Assim como deve ser o apoio económico contínuo para Kiev de doadores-chave na Europa, América do Norte e Japão.

– Punição económica mais severa contra a Rússia, que lhe dá incentivos mais significativos para negociar o fim da guerra rapidamente.

– A China deve ser pressionada a reduzir a produção industrial para a Rússia, a menos que a guerra termine logo.

Acima de tudo, para criar alavancagem e pressão de tempo, até 2025, os países ocidentais podem começar a usar cerca de entre um quarto e metade dos 300 mil milhões de dólares em ativos congelados da Rússia por ano e dar esse dinheiro a Kiev – isso deve continuar até que seja verificada uma paz verificável, momento em que Moscovo recuperaria o saldo restante dos seus ativos.

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