Estado vai perder 45 mil milhões de euros em receitas de IRS nas próximas décadas com os jovens que ‘fogem’ do país

Um estudo recente do Centro de Estudos da Federação Académica do Porto (CEFAP) revela um impacto alarmante da emigração jovem qualificada em Portugal, estimando-se que o país possa perder cerca de 95 mil milhões de euros em receitas fiscais ao longo das próximas quatro décadas.

André Manuel Mendes

Um estudo recente do Centro de Estudos da Federação Académica do Porto (CEFAP) revela um impacto alarmante da emigração jovem qualificada em Portugal, estimando-se que o país possa perder cerca de 95 mil milhões de euros em receitas fiscais ao longo das próximas quatro décadas.

Este valor surge no contexto de um estudo que mostra que mais de 73% dos jovens que estão a concluir o Ensino Superior ponderam emigrar para países com salários mais elevados.

A análise do CEFAP demonstra que, ao longo dos próximos 45 anos, a emigração de jovens qualificados pode resultar numa diminuição significativa da capacidade produtiva do país e na geração de riqueza. Caso todos os 400 mil estudantes inscritos no Ensino Superior em 2023/2024 permanecessem em Portugal, poderiam gerar até 411 mil milhões de euros em receitas fiscais. No entanto, a saída de uma parte significativa destes estudantes poderá comprometer a sustentabilidade da economia nacional, incluindo perdas de 45 mil milhões de euros em IRS, 7 mil milhões de euros em impostos indiretos e 61 mil milhões de euros em contribuições líquidas para a Segurança Social.

A pesquisa também revela que cerca de 25% dos estudantes já tomaram a decisão de emigrar, enquanto apenas 10% garantem que permanecerão no país. As razões apontadas para essa tendência estão essencialmente ligadas à falta de oportunidades e à diferença de salários em comparação com outros países, como o Reino Unido, Suíça, Países Baixos, Alemanha e Luxemburgo.

Este cenário coloca a economia portuguesa num risco considerável, com uma projeção de perdas de até 2,1 mil milhões de euros por ano devido à emigração jovem. Mesmo numa projeção conservadora, considerando apenas os 25% de estudantes que já decidiram emigrar, as perdas anuais alcançariam os 1 mil milhão de euros.

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O estudo, que foi feito pelo Centro de Estudos da Federação Académica do Porto, é hoje apresentado pelos coordenadores, Paulo Mota e Rui Henrique Alves, com comentário e análise do professor universitário António José Seguro.

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