Calçado português “apreensivo” com potenciais tarifas mas recusa desistir dos EUA

O setor português do calçado está “apreensivo” face à potencial imposição de tarifas pelos EUA às transações com a União Europeia, mas garante não tencionar “deixar cair” um mercado estratégico para onde quase duplicou as exportações em cinco anos.

Executive Digest com Lusa

O setor português do calçado está “apreensivo” face à potencial imposição de tarifas pelos EUA às transações com a União Europeia, mas garante não tencionar “deixar cair” um mercado estratégico para onde quase duplicou as exportações em cinco anos.

“Estamos apreensivos, [mas] não tencionamos deixar cair o mercado”, afirmou o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) em declarações, hoje, à agência Lusa.

Afirmando-se, “do ponto de vista do princípio, frontalmente contra medidas protecionistas, porque penalizam o comércio internacional e limitam a evolução das sociedades”, Paulo Gonçalves enfatizou a importância de um “comércio livre, justo e equilibrado”.

E, ainda que o setor exporte 90% da sua produção para 170 países, aponta os EUA “são um mercado estratégico”, que se destaca como “o maior importador mundial de calçado” e “um mercado de elevado potencial”.

“Ainda que não estejamos dependentes de nenhum mercado, acreditamos que, em circunstâncias normais, continuaremos a afirmar-nos nos EUA pela qualidade e serviço do nosso calçado”, afirmou Paulo Gonçalves.

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Nos últimos cinco anos, as exportações de calçado português para os EUA praticamente duplicaram, tendo crescido 25% nos últimos três anos e totalizado dois milhões de pares e 94 milhões de euros em 2024.

A campanha presidencial de Donald Trump baseou-se em promessas de protecionismo económico, incluindo junto de economias como a canadiana, a mexicana ou a chinesa. Além destes países, Trump já ameaçou aplicar tarifas às transações com União Europeia (UE), Bolívia ou Dinamarca – devido ao território da Gronelândia.

O Presidente norte-americano disse este mês aos líderes empresariais reunidos no Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça), para fabricarem os seus produtos nos EUA, caso contrário “terão de pagar tarifas”.

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As exportações de calçado português aumentaram 3,3% em volume, mas caíram 6,5% em valor, em 2024 face a 2023, somando 1.702 milhões de euros num ano “muito difícil no plano externo”, segundo estimativas da APICCAPS com base nos dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE).

“É o reflexo da dinâmica do mercado. O ano que terminou foi muito difícil no plano externo”, afirmou o presidente da associação, Luís Onofre, citado num comunicado divulgado na segunda-feira.

As estimativas da APICCAPS apontam ainda para um novo máximo histórico das exportações do setor de artigos de pele e marroquinaria, que em 2024 terão aumentado 8,5% para 351 milhões de euros, destacando-se o segmento “malas e bolsas”, com um crescimento de 10,6% para 175 milhões.

Em 2024, a indústria portuguesa de calçado exportou 67 milhões de pares de calçado para todo o mundo, tendo vendido mais de 90% da sua produção para 170 países de todos os continentes.

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