A nova secretária-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Isabel Camarinha, insiste no aumento geral de salários e mantém pressão. «O modelo de baixos salários e de empobrecimento dos trabalhadores em Portugal não pode continuar. Os trabalhadores empobrecem a trabalhar», disse em entrevista ao “Público”/Renascença.
Para a sucessora de Arménio Carlos, o aumento do salário mínimo, «além de ser insuficiente não foi acompanhado de um aumento salarial geral que, de facto, reconheça as carreiras e as qualificações adquiridas». Salientando que o aumento de 90 euros para todos os trabalhadores é uma das questões que a CGTP tem colocado em todas as negociações com o Governo e na Concertação Social, defendeu que «o aumento significativo dos salários é um imperativo nacional», não só para a melhoria das condições dos trabalhadores e das suas famílias, mas também para a economia do país.
Isabel Camarinha acrescentou que a questão da contratação colectiva tem «um problema gravíssimo» que é a caducidade das convenções colectivas. «Não desistimos, de forma alguma, de conseguir revogar a norma da caducidade bem como voltar a repor o princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador para equilibrar as relações de trabalho.»
Questionada sobre a «uberização», fenómeno que está a crescer e em que os trabalhadores não são proprietários do seu negócio mas também não têm protecção da Segurança Social, é peremptória: «Em primeiro lugar, é inaceitável a possibilidade de haver trabalhadores que não têm quaisquer direitos. É importantíssimo estes trabalhadores organizarem-se nos sindicatos da CGTP para conseguirmos chegar à regulamentação do seu trabalho. Isso é fundamental. Os sindicatos da CGTP estão a contactar estes trabalhadores no sentido de os organizar. Está a ter algum efeito mas estes trabalhadores têm uma situação tão frágil que isso dificulta a ligação aos sindicatos. Não funcionam em conjunto, estão muito isolados».
Avisa também que um Verão quente de contestação só depende do PS e do Executivo. «O PS na legislatura anterior não aproveitou a correlação de forças que tinha na Assembleia da República para alterar substancialmente as condições de vida e de trabalho no nosso país. Não veio ao encontro das necessidades e exigências dos trabalhadores», atirou, acrescentando que a CGTP espera que nesta legislatura isso possa acontecer.« Pelo que vemos nas propostas por parte do Governo e de posicionamento do PS na Assembleia da República, não estamos a ver que aconteça. As opções do PS continuam a ser de submissão à União Europeia, à questão da dívida, até quer ficar com excedente no OE em vez de o utilizar para investir e para os salários dos trabalhadores. O que dizemos é que a luta vai ter que continuar e intensificar-se», prometeu.










