A Direção-Geral da Saúde (DGS) perdeu vários dos especialistas mais experientes e até ao início desta semana não tinha ninguém na cúpula das decisões além da própria diretora-geral. Nenhum dos dois subdiretores estava ao serviço e só o apoio de peritos externos tem permitido a Graça Freitas preparar as medidas, avança o Expresso na edição deste sábado.
“Os anteriores diretores-gerais da Saúde tinham quatro subdiretores. Graça Freitas só tem dois e nenhum estava ao serviço. Um por baixa médica, compreensível, e outro por licença de paternidade, que devia ter interrompido logo que foi decretada a situação de ameaça internacional”, diz ao Expresso um dos vários consultores.
Graça Freitas recusa qualquer vitimização, mas admite que a DGS sofreu muitas saídas. “Perdi muitos técnicos. Todos os meus diretores de serviços saíram para a reforma, para outros cargos no Governo ou para retomarem a carreira académica. São estas as circunstâncias que temos e é com elas que estou a trabalhar, tal como outros peritos da rede de saúde pública que nos estão a ajudar.”
Desenhar a estratégia contra a ameaça do momento, o novo coronavírus, tem sido assim tarefa de um vasto número de consultores externos que apoiam a autoridade de saúde. No entanto, a falta de decisores experientes na DGS tem dificultado a concretização no terreno, mesmo em situações preparadas com antecedência.
Um responsável de saúde resume a atual situação: “Colocaram pessoas sem experiência em lugares chave.” E garante: “A diretora-geral está sozinha e mal acompanhada.”









