As ocorrências criminais nas escolas aumentaram cerca de 9% no último ano letivo, para um total de 3.824 casos, sendo que as ofensas corporais, as injúrias e ameaças os crimes que mais aumentaram e os mais predominantes, indicou esta sexta-feira o ‘Diário de Notícias’.
O ataque na escola da Azambuja relançou o debate sobre a segurança (ou a falta dela…) em espaços escolares. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos em Escolas Públicas (ANDAEP), associou o aumento da violência à pandemia da Covid-19. Os alunos, garantiu, “estão mais irrequietos, ansiosos e menos tolerantes. Até os mais sossegados explodem”, salientando ser necessário “um olhar mais atento” por parte dos pais e das escolas. “É preciso que a parceria família-escola funcione. Se o aluno em casa manifesta comportamentos estranhos, deve informar-se as escolas e vice-versa.”
Atualmente, não existe um protocolo estipulado a nível nacional nas escolas para atuar em situações semelhantes aos da Escola Básica da Azambuja. ““Existe a Lei Geral e o Estatuto do Aluno”, explicou Filinto Lima. “Quando isso acontece deve-se pedir a intervenção da polícia, participa-se à CPCJ, é acionado apoio psicológico, abre-se processo disciplinar e o aluno é suspenso preventivamente.”
Para diminuir a violência, sustentou o presidente da ANDAEP, é necessária “a contratação de psicólogos, assistentes sociais e técnicos especializados”. “É necessário, em algumas escolas, chegarem principalmente mais psicólogos que possam ajudar na prevenção deste tipo de situações. Os casos poderiam reduzir bastante se houvesse mais acompanhamento das equipas de psicologia.”
Já o Sindicato Independente e Solidário dos Trabalhadores do Estado e Regimes Públicos (SISTERP) destacou que “a maioria das escolas são lugares muito inseguros”. “Os alunos, os assistentes operacionais, os docentes e os não-docentes estão em risco. Há escolas que são lugares seguros, mas a maioria são lugares muito inseguros”, apontou Paulo Marinho, secretário-geral do SISTERP, destacando que “principalmente nos grandes polos urbanos, onde o ambiente é mais propício a atos de violência”. “A falta de assistentes operacionais agrava significativamente a insegurança”, referiu.






