Chris Ellison, diretor executivo da Mineral Resources, uma das principais empresas do setor de recursos naturais na Austrália, tem causado polémica com a sua nova política laboral na empresa, que proíbe o teletrabalho e restringe a liberdade dos funcionários em fazer pausas fora das instalações da empresa. A decisão de Ellison, de 67 anos, visa assegurar que os trabalhadores permaneçam no edifício durante todo o dia de trabalho, defendendo a ideia de que a presença física é crucial para a eficiência e o sucesso da empresa.
Num contexto onde muitas empresas australianas adotaram o teletrabalho como prática comum, especialmente após a pandemia da Covid-19, a postura de Ellison contrasta com a tendência dominante. Em declarações registadas pela Bloomberg, o CEO enfatizou que deseja que os seus funcionários permaneçam “cativos” na moderna sede da empresa em Perth, inaugurada há apenas dois anos. “Não quero que saiam do edifício, nem para irem tomar um café na rua”, afirmou Ellison, sublinhando que até mesmo essa pequena pausa poderia tornar-se num “benefício em perigo de extinção”.
Para justificar a sua posição, Ellison destacou as vantagens de trabalhar presencialmente na nova sede da Mineral Resources, que foi cuidadosamente concebida para criar um ambiente agradável e funcional para os seus colaboradores. O edifício está equipado com uma série de comodidades, incluindo uma cafetaria, restaurante, ginásio, creche, sala de reflexão e um centro de bem-estar. De acordo com o CEO, estas instalações são suficientes para que os funcionários não precisem de sair durante o horário de trabalho, criando um ambiente onde “eles adoram trabalhar”.
Ellison deixou claro que espera que todos os seus colaboradores se adaptem a esta política o mais rapidamente possível. “Desejo que todos os outros se juntem a isso, quanto antes, melhor”, afirmou, reforçando a sua determinação em mudar a dinâmica de trabalho na empresa.
A decisão de Ellison de abolir o teletrabalho marca uma rutura significativa com a abordagem de muitas outras empresas na Austrália, onde a prática de trabalhar a partir de casa, pelo menos alguns dias por semana, se tornou uma norma, particularmente entre trabalhadores administrativos. Esta mudança tem gerado críticas, especialmente entre os pais que tentam equilibrar as responsabilidades laborais com a vida familiar.
Reconhecendo as preocupações das famílias, Ellison apresentou a creche da empresa como uma solução prática e económica. A creche cobra apenas 20 dólares australianos por dia (cerca de 12,26 euros), uma fração do custo médio de 180 dólares australianos (110 euros) que os pais enfrentam nas creches externas. “Deixem os pequenos na casa ao lado”, sugeriu Ellison, referindo-se à proximidade da creche com o local de trabalho. “Nós tratamos de os alimentar, mas os pais estarão a trabalhar na nossa oficina”, concluiu.








