ONG responsabiliza Israel por crescente violência dos colonos na Cisjordânia

Israel tomou o controlo da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967 e, desde então, tem mantido uma ocupação militar deste território palestiniano

Executive Digest com Lusa

A crescente violência dos colonos israelitas contra palestinianos na Cisjordânia ocupada fez aumentar os deslocamentos forçados, situação que se agravou com a guerra em Gaza, denunciou hoje o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), que responsabiliza as autoridades israelitas.

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“As autoridades israelitas, enquanto potência ocupante, são diretamente responsáveis pelas ações dos colonos violentos. Estes ataques, que ocorrem em plena luz do dia sob o olhar atento e a força protetora do exército israelita, sublinham a ilegalidade da presença de Israel na Cisjordânia”, denunciou a organização não-governamental (ONG).

Segundo o NRC, “a violência dos colonos israelitas no nordeste da Cisjordânia provocou a maior vaga de deslocações forçadas de comunidades palestinianas desde as semanas que se seguiram ao dia 07 de outubro”, quando começou a guerra entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza.

“Estamos a apelar urgentemente à comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia (UE), para que intervenha junto das autoridades israelitas e proteja estas comunidades vulneráveis. Aqueles que partiram querem regressar às suas terras e aos seus meios de subsistência assim que for seguro”, afirmou Allegra Pacheco, do Consórcio de Proteção da Cisjordânia (WBPC), liderado pelo NRC.

A organização, cuja rede de ativistas na Cisjordânia é financiada por 11 doadores da UE, do Reino Unido e do Canadá, calcula que cerca de um quarto de milhão de euros de assistência humanitária será potencialmente afetado pela violência, enquanto alguma ajuda já foi destruída ou saqueada pelos colonos.

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Israel tomou o controlo da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967 e, desde então, tem mantido uma ocupação militar deste território palestiniano.

O Governo israelita, liderado por Benjamin Netanyahu, promove uma política de expansão dos colonatos através do Conselho de Colonização de Israel, que é apoiado pelo exército no terreno.

Em 19 de julho, o Tribunal Internacional de Justiça descreveu a ocupação israelita da Cisjordânia como ilegal e decidiu que as suas práticas em terras palestinianas “violam o direito internacional”.

Israel utilizou os mais de dez meses de guerra na Faixa de Gaza para expandir os colonatos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupada e “acelerar o processo de anexação” dos territórios palestinianos, denunciou também a ONG israelita Peace Now.

Mais de 700.000 colonos vivem na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

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Pelo menos 3.129 palestinianos foram deslocados e 530.817 foram afetados pela violência dos colonos ou das autoridades israelitas na Cisjordânia desde outubro do ano passado, segundo a agência humanitária da ONU (OCHA), que refere que pelo menos 1.398 estruturas palestinianas foram demolidas.

Desde 07 de outubro, a OCHA registou cerca de 1250 ataques de colonos israelitas contra palestinianos, 120 dos quais resultaram em mais de uma dúzia de mortes.

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