A 31 de Dezembro, um software de inteligência artificial, desenvolvido pela canadiana BlueDot, já havia detectado a existência de uma nova epidemia e alertou os seus clientes. Nesse dia, a China comunicou 27 casos de coronavírus à Organização Mundial da Saúde (OMS).
De acordo com o jornal espanhol “La Vanguardia”, a BlueDot desenvolveu um um algoritmo para analisar grandes quantidades de dados e encontrar padrões para detectar a propagação de doenças contagiosas. Depois, junta e analisa notícias publicadas em portais da Internet e jornais, em mais de 30 idiomas diferentes, e produz relatórios para diversas organizações. Foi assim que conseguiu prever que o vírus se propagou de Wuhan para Banguecoque, Seul, Taipé e Tóquio poucos dias após o surto ter eclodido.
Esta empresa já tinha, inclusive, dados provas do que valia durante a epidemia do vírus Zika, ao prever o primeiro caso na Florida, nos Estados Unidos, seis meses antes.
Número de infectados na China supera epidemia da SARS
A China elevou esta quarta-feira para 132 mortos e quase seis mil infectados o balanço do coronavírus, detectado no final do ano em Wuhan, capital da província de Hubei.
O Governo chinês, recorde-se, decidiu prolongar o período de férias do Ano Novo Lunar, que deveria terminar na quinta-feira, para tentar limitar a movimentação da população. Está também a construir duas unidades hospitalares de raiz para fazer face ao novo surto e colocou 13 cidades de quarentena.
Além da China, também foram reportados casos em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá. Entretanto, foram registados outros três casos de infecção entre humanos fora da China: na Alemanha, no Japão e no Vietname.
As pessoas infectadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detectado. Os sintomas incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias.
O último surto do género começou no Sul da China e foram registados mais de oito mil casos em todo o mundo. Matou mais de 800 pessoas em 2002-2003. Mais tarde, descobriu-se que as autoridades chinesas encobriram novos casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave durante meses, o que agravou a sua propagação. Desde 2004 que não havia registo de nenhum novo caso, a nível mundial, e a comunidade médica chegou a considerar a síndrome respiratória aguda grave erradicada.






