O médico e investidor americano Scott Gottlieb, ex-comissário da Food and Drug Administration manifestou-se preocupado com a propagação do coronavírus, que já causou mais de uma centena de vítimas mortais na China, e admitiu que o número de infecções será muito superior ao reconhecido pelas autoridades.
Em declarações à “CNBC”, Gottlieb disse esta terça-feira que a China poderá estar a «subestimar dramaticamente» o número de casos, acrescentando que podem ser, afinal, «dezenas de milhares».
Contudo, o Presidente chinês, Xi Jinping, assegurou à Organização Mundial da Saúde (OMS) que a China não pretende ocultar informações. «O surto é um demónio. Não permitiremos que este demónio fique escondido», garantiu o chefe de Estado chinês, num encontro em Pequim com o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, avançou a estação pública “CCTV”, citada pela “Lusa”.
A China elevou esta terça-feira para 106 mortos e mais de quatro mil infectados o balanço do coronavírus, detectado no final do ano em Wuhan, capital da província de Hubei. As autoridades chinesas admitiram que a capacidade de propagação do vírus se reforçou.
Um primeiro caso confirmado de contaminação entre humanos com este vírus foi confirmado na Alemanha esta terça-feira, o segundo país afectado da Europa, depois de França. O alemão infectado não esteve na China mas teve contacto com colega de trabalho chinesa
Além da China, também foram reportados casos de infecção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Alemanha, Austrália e Canadá.
Portugal já fez accionar os dispositivos de saúde pública e tem em alerta o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa. Foram também activados os protocolos estabelecidos para situações do género, reforçando no Serviço Nacional de Saúde a linha Saúde 24, através do número 800242424, e a linha de apoio médico, para triagem e evitar que em caso de eventual contágio as pessoas não encham os centros de saúde e as urgências dos hospitais.
As pessoas infectadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detectado. Os sintomas incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias.
O último surto do género começou no Sul da China e foram registados mais de oito mil casos em todo o mundo. Matou mais de 800 pessoas em 2002-2003. Mais tarde, descobriu-se que as autoridades chinesas encobriram novos casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave durante meses, o que agravou a sua propagação. Desde 2004 que não havia registo de nenhum novo caso, a nível mundial, e a comunidade médica chegou a considerar a síndrome respiratória aguda grave erradicada.





