A Rússia salientou, esta quinta-feira, que a afirmação de Donald Trump, de que conseguiria encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia, deve ser vista de uma forma realista, uma vez que também havia prometido um avanço na paz no Médio Oriente, mas que não conseguiu alcançá-lo durante a sua presidência.
Segundo a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, Moscovo tomou nota das declarações de Trump, que concorre contra o presidente Joe Biden nas eleições americanas de novembro, assim como o recém-nomeado candidato à vice-presidência, JD Vance.
“Vimos as declarações – Trump disse que resolveria o conflito dentro de 24 horas, depois Vance disse que a China é um problema maior para os Estados Unidos do que o conflito Rússia-Ucrânia”, salientou Zakharova aos jornalistas.
“É necessário separar a retórica pré-eleitoral das declarações de funcionários do Governo dotados dos poderes apropriados. Se falarmos sobre se é possível resolver o conflito, sejamos realistas”, frisou, lembrando que Trump, durante a sua presidência (2017-2021), fez declarações ambiciosas sobre a resolução do conflito no Médio Oriente.
“Há muito tempo que se prepararam para o ‘acordo do século’, mas não terminou em nada, e sob Biden, pelo contrário, aconteceu uma tragédia histórica colossal”, sustentou, referindo-se à guerra de Gaza.
O presidente russo, Vladimir Putin, em diversas ocasiões, apresentou a sua opinião sobre as eleições americanas. Em fevereiro último, referiu que Biden era a melhor opção do ponto de vista de Moscovo porque era um político da “velha escola” mais previsível; mais tarde, em junho, sustentou que o resultado não faria muita diferença para a Rússia, mas estava claro que o sistema judicial dos EUA estava a ser usado numa batalha política contra Trump.
Por último, Putin disse que leva a sério os comentários de Trump sobre o fim da guerra na Ucrânia, mas não sabe detalhes do que está a ser proposto. O presidente russo indicou, em junho, que a Rússia estaria disposta a acabar com a guerra, mas apenas se a Ucrânia desistisse da totalidade das quatro regiões que Moscovo afirma ter anexado. A Ucrânia rejeitou imediatamente esses termos, garantindo que equivaleriam à rendição.







