EUA acusam líder neonazi europeu de plano para distribuir doces envenenados a crianças de minorias raciais pelo ‘Pai Natal’

Michail Chkhikvishvili, que tem vários apelidos, incluindo ‘Comandante Butcher’, mora no Leste Europeu e é o suposto líder do grupo extremista: aos 21 anos, o homem natural da Geórgia, foi indiciado por quatro acusações, incluindo solicitação de crimes de ódio e atos de violência em massa, refere o Departamento de Justiça dos Estados Unidos

Francisco Laranjeira

O líder de um grupo extremista neonazi, conhecido como ‘Maniac Murder Cult’, foi acusado esta terça-feira pelas autoridades americanas por suspeitas de um plano para que um membro do grupo se vestisse de Pai Natal e distribuísse doces envenenados para crianças judias em Nova Iorque: de acordo com os promotores judiciais, o plano era semear o terror na cidade.

Michail Chkhikvishvili, que tem vários apelidos, incluindo ‘Comandante Butcher’, mora no Leste Europeu e é o suposto líder do grupo extremista: aos 21 anos, o homem natural da Geórgia, foi indiciado por quatro acusações, incluindo solicitação de crimes de ódio e atos de violência em massa, refere o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.



De acordo com os promotores, o ‘Maniac Murder Cult’ é um grupo extremista internacional que adere a uma “ideologia aceleracionista neonazi e promove a violência e atos violentos contra minorias raciais, a comunidade judaica e outros grupos que considera ‘indesejáveis'”.

O objetivo do ‘Maniac Murder Cult’ é perturbar a ordem social e os Governos através de terrorismo e de atos violentos que promovam o medo e o caos, referiu o procurador-geral assistente Matthew G. Olsen da Divisão de Segurança Nacional do Departamento de Justiça, do procurador-geral dos EUA Breon Peace para o Distrito Leste de Nova York e do diretor-assistente executivo Robert R. Wells da Divisão de Segurança Nacional do FBI, citados pelo jornal britânico ‘The Independent’.

Chkhikvishvili foi preso após tentar recrutar um polícia disfarçado para se juntar ao grupo e cometer crimes violentos, como atentados a bomba e incêndios criminosos, de acordo com documentos judiciais. Em novembro de 2023, começou a planear um “evento com muitas vítimas” em Nova Iorque na véspera do Ano Novo, destacaram os promotores. “O esquema envolvia um indivíduo vestido de Pai Natal para distribuir doces com veneno para minorias raciais e crianças em escolas judaicas no Brooklyn”, salienta o comunicado do Departamento de Justiça, destacando que Chkhikvishvili “elaborou instruções passo a passo para executar o esquema” e partilhou “com o polícia disfarçado manuais detalhados sobre como criar e misturar venenos e gases letais”.

Segundo os promotores, desde setembro de 2021, Chkhikvishvili distribuiu um manifesto intitulado “Manual do Odiador”, no qual afirma que “assassinou pela raça branca” e encoraja outros a fazerem o mesmo. “Por exemplo, e entre outras coisas, o manual encoraja os seus leitores a cometer tiroteios em escolas e a usar crianças para perpetrar atentados suicidas e outros assassinatos em massa visando minorias raciais”, indica o Departamento de Justiça.

“O documento descreve métodos e estratégias para cometer ‘ataques terroristas’ em massa, incluindo, por exemplo, usar veículos para atingir ‘grandes festivais ao ar livre, convenções, celebrações e desfiles’ e ‘ruas congestionadas de pedestres’. Ele encoraja especificamente a cometer ataques dentro dos Estados Unidos”, aponta.

Chkhikvishvili viajou para Nova Iorque pelo menos duas vezes em 2022 e ficou com a sua avó paterna no Brooklyn – se condenado, Chkhikvishvili pode apanhar uma pena máxima de 20 anos de prisão por solicitação de crimes violentos, cinco anos por conspiração para solicitação de crimes violentos, 20 anos por distribuir informações relativas à fabricação e uso de dispositivos explosivos e cinco anos por transmitir comunicação ameaçadora.

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