Espiões cibernéticos de Putin são uma séria ameaça aos Jogos Olímpicos de Paris, alerta Google

De acordo com a ‘Mandiant’, empresa de segurança cibernética e subsidiária do Google, os organizadores e participantes dos eventos vão precisar de permanecer em alerta máximo, dado o risco significativo representado pelos criminosos cibernéticos com motivações financeiras e geopolíticas

Francisco Laranjeira

Hackers russos estão a preparar-se para ‘atrapalhar’ os Jogos Olímpicos de Paris, alertam esta quarta-feira diversos especialistas em segurança cibernética: entre os possíveis alvos estão desde as pessoas nas bancadas até às autoridades francesas.

De acordo com a ‘Mandiant’, empresa de segurança cibernética e subsidiária do Google, os organizadores e participantes dos eventos vão precisar de permanecer em alerta máximo, dado o risco significativo representado pelos criminosos cibernéticos com motivações financeiras e geopolíticas.



Num relatório intitulado “Phishing for Gold”, a ‘Mandiant’ determinou que os Jogos Olímpicos deste verão enfrentam “um risco elevado de atividade de ameaça cibernética” – os autores (Michelle Cantos e Jamie Collier), avaliaram “com grande confiança” que os atores patrocinados pelo Estado russo representam o maior risco para os Jogos, com hackers da China, Irão e Coreia do Norte a representarem uma ameaça moderada.

Em entrevista à revista ‘Newsweek’, Collier, principal consultor de inteligência de ameaças da ‘Mandiant’ para a Europa, salientou que “como um evento desportivo de alto nível com uma audiência global, as Olimpíadas representam um palco ideal para operações cibernéticas disruptivas destinadas a causar efeitos psicológicos negativos e danos à reputação”. “Isso ocorre porque o impacto de qualquer interrupção seria significativamente ampliado”, refere o especialista.

No documento estão descritos os diversos riscos cibernéticos enfrentados pelos Jogos, incluindo espionagem cibernética, ataques “disruptivos e destrutivos” e invasões com motivação financeira.

Como um evento internacional com a presença de autoridades governamentais e chefes de Estado, Collier acredita que hackers russos tentarão usar o evento para “recolha de informações” sobre tomadores de decisão estrangeiros de alto escalão. No entanto, os participantes também devem ficar atentos, pois eventos tão grandes apresentam oportunidades excelentes para criminosos cibernéticos de todos os tipos atacarem turistas com golpes de ingressos e tentarem roubar dados pessoais.

Para Collier, o pior cenário seria um ataque “destrutivo” em larga escala, como a implantação de um “malware wiper”, que apaga dados em redes alvo e que deixaria os Jogos de Paris em desordem.

Há uma coincidência de fatores que torna estes Jogos Olímpicos particularmente vulneráveis: o Comité Olímpico Internacional baniu a Rússia de competições em fevereiro de 2022, como uma resposta imediata à invasão da Ucrânia pelo país, que a organização considerou uma “violação flagrante” da Carta Olímpica – no entanto, atletas russos e bielorrussos ainda podem competir sob uma bandeira neutra.

De acordo com Collier, isso dá a Putin uma “motivação clara” para atacar os Jogos e, juntamente com as suas sofisticadas capacidades de espionagem cibernética e histórico de ataques a Olimpíadas anteriores, torna-o o maior risco para a competição.

Nas últimas edições, hackers russos patrocinados pelo Kremlin tornaram públicos dados de atletas, interromperam redes durante as cerimónias de abertura e realizaram reconhecimento de oficiais olímpicos, de acordo com a ‘Mandiant’.

O apoio ardente da França à Ucrânia, após a invasão russa, também faz destes JO o alvo perfeito para ataques com motivação geopolítica, avisa Collier, e França o alvo mais provável para ataques cibernéticos.

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