Os problemas relacionados com a saúde mental dos trabalhadores podem custar mais de 40 mil milhões de libras (cerca de 47,4 mil milhões de euros) às empresas. A conclusão é de um estudo da Deloitte e dá força às preocupações exprimidas por António Horta-Osório, director executivo e CEO do Lloyds Banking Group.
De acordo com o executivo português – à frente de um dos maiores grupos bancários do Reino Unido – empresas que ignorem a saúde mental arriscam-se a prejudicar os seus funcionários, contribuindo potencialmente para problemas maiores nas suas vidas e famílias.
Um dos principais problemas estará relacionado com o facto de os colaboradores continuarem a trabalhar quando estão doentes, em vez de fazerem uma pausa. Esse tempo em frente à secretária não é produtivo e todos os lados da equação sofrem com a insistência.
Segundo a BBC, António Horta-Osório tem experiência pessoal com o tema. Em 2011, em plena crise financeira, o CEO começou a sentir os efeitos negativos da pressão que sentia: «Estava muito consciente de que o banco estava numa posição fraca para enfrentar a adversidade. Era um problema que andava às voltas na minha cabeça constantemente, o que me levou a dormir cada vez menos», conta.
Em declarações à BBC acrescenta ainda que o número reduzido de horas de sono conduziu à exaustão e à impossibilidade de dormir de todo. «O que era uma forma de tortura, por isso tive de lidar com o assunto.»
Com a compreensão da administração, esteve afastado durante oito semanas de modo a recuperar do estado de esgotamento em que se encontrava. Ter passado por uma situação como esta fez com que estivesse mais atento aos funcionários do banco (aproximadamente 65 mil) e a dar outro valor à saúde mental.
Os executivos seniores participaram num programa de consciencialização para a saúde mental, foi criado um portal online sobre o tema e aumentada a cobertura do seguro de saúde dos trabalhadores relativamente a cuidados nesta área.
«Pelo menos uma em cada três pessoas passa por um problema de saúde mental durante a sua vida. É muito mais comum do que se possa pensar», sublinha António Horta-Osório, acrescentando que não deve ser preciso passar pelo que passou para compreender que o problema existe.
Foto de Lloyds Banking Group









