O telemóvel do fundador e presidente da multinacional tecnológica Amazon Jeff Bezos terá sido hackeado pelo príncipe da coroa saudita Mohammed bin Salman em 2018, revela o “The Guardian”, a partir das conclusões de uma investigação ao aparelho do magnata. Para já, sabe-se que foi extraída muita informação do multimilionário norte-americano no no espaço de horas, mas desconhece-se o conteúdo.
Tudo se terá passado a 1 de Maio de 2018. O jornal britânico detalha que o ficheiro malacioso que extraiu de dados pessoais do telemóvel de um dos homens mais ricos do mundo ter-se-á infiltrado no dispositivo depois de Bezos abrir uma mensagem de vídeo enviada por WhatsApp, no seguimento de uma troca de mensagens entre o dono da Amazon e Mohammed bin Salman, que tinham estado juntos num jantar em Hollywood algumas semanas antes.
Agnès Callamard, relactora especial sobre execuções sumárias do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, considera as provas de espionagem suficientemente credíveis para pedir explicações à Arábia Saudita.
Foi o próprio Bezos a solicitar esta análise ao dispositivo, depois de, em Fevereiro de 2019, acusar o tablóide norte-americano “National Enquirer” de ter ameaçado publicar fotografias íntimas roubadas, caso o “Washington Post” – comprado em 2013 por Bezos – continuasse uma investigação que tinha como alvo o jornal. Um mês antes desta denúncia, em Janeiro de 2019, o “National Enquirer” dava conta de uma relação extraconjugal entre Bezos e a antiga apresentadora de televisão Lauren Sanchez.
O especialista contratado por Bezos, Gavin de Becker, relacionou esta jogada com a morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul, em Outubro de 2018. Khashoggi era um dos principais críticos do príncipe saudita e responsável por várias investigações, nomeadamente em relação à intervenção militar saudita no Iémen.
Jamal Khashoggi, recorde-se, escrevia para o “Washington Post”, sendo que o seu assassinato ocorreu cinco meses após este alegado roubo de informação do telemóvel do magnata. A Arábia Saudita, porém, continua a avançar de que a morte do jornalista decorreu no âmbito de uma operação rebelde, tendo avançado com condenações oito dos envolvidos, cinco dos quais com pena de morte.





