Esta quinta-feira assinala-se o 80º aniversário do desembarque dos Aliados em cinco praias da Normandia: as cerimónias refletem a escala gigantesca do maior assalto anfíbio da história, no qual participaram quase 7 mil navios e barcos com tropas de 13 países, ao abrigo de 14 mil missões aéreas e do lançamento de 18 mil para-quedistas atrás das linhas inimigas. Dos mais de dois milhões de militares que participaram na ‘Operação Overlord’, apenas alguns milhares de veteranos quase centenários permanecem vivos atualmente.
A memória do passado encontra reflexo no mundo atual, relata esta quarta-feira o jornal espanhol ‘ABC’, com os aliados a querem projetar uma imagem de unidade entre democracias cada vez mais imperfeitas e divididas face ao desafio colocado por autocracias cada vez mais perfeitas e coordenadas. O Ocidente, visto em certas partes do mundo, é entendido como algo decadente, fraco e disfuncional que pode ser desafiado.
A data do desembarque da Normandia é importante, tal como a cimeira da NATO, daqui a cinco semanas em Washington, o será: até lá, um conferência de paz ucraniana na Suíça e uma cimeira dos líderes do G-7 em Itália. Em cima da mesa estarão os conflitos na Ucrânia e em Gaza, a ascensão da China, o futuro dos Estados Unidos e a ascensão da extrema-direita na Europa.
De acordo com Charles A. Kupchan, professor da Universidade de Georgetown, em declarações ao ‘The New York Times’ “pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, a ameaça interna ao Ocidente é mais aguda do que a ameaça externa”. A mesma tese sustentada por Yuval Noah Harari ao ‘The Economist’: “Só valorizamos plenamente os nossos joelhos quando param de funcionar. O mesmo se aplica à ordem mundial: os seus antigos benefícios só se tornam aparentes quando entram em colapso.”





