Esta semana, 73 eurodeputados britânicos participaram pela última vez numa sessão plenária em Estrasburgo. Ao fim de 47 anos, são o reflexo de um país divido pelo Brexit.
«Há 20 anos que aqui venho. Fiz muitos amigos. Muitos inimigos. De algumas coisas sentirei falta, claro… Do teatro de estar no plenário. De certa forma, fui o ‘mal comportado’ do Parlamento Europeu, fui o ‘vilão’, aquele que se levantava e todos assobiavam. Vou sentir falta desse drama», disse o líder do Partido do Brexit, Nigel Farage, à “SIC”.
Farage acredita que «outros vão sair» da União Europeia (UE), uma estrutura que considera ser «errada para a Europa». «É um modelo antidemocrático», atirou.
Já eurodeputados trabalhistas, liberais e verdes lamentam a saída do Reino Unido do bloco comunitário. Richard Corbett, eurodeputado Trabalhista, classifica o Brexit como «um erro trágico». «É muito estranho. Muito triste. Pessoalmente, mas também para o meu país. É um erro trágico. Não é bom para o Reino Unido. Não é bom para a Europa», afirmou Corbett, que percorre os corredores do Parlamento Europeu desde 1996.
«Eu esperava mesmo que conseguíssemos ficar. É pena não termos conseguido o resultado que queríamos», lamentou Magid Magid, eurodeputado dos Verdes.
Também Irina Von Wies, eurodeputada dos Liberais, admitiu que «é uma pena ver o Reino Unido sair da União Europeia». «Logo agora que estamos prestes a ter um dos maiores projectos de reforma, que é a Conferência sobre o Futuro da Europa, que vai envolver os cidadãos, precisamente com o objectivo de reparar as divisões na sociedade», sublinhou.
Mas a tristeza de uns é a alegria de outros. «Não vou sentir falta das instituições europeias. Para mim, são distantes, servem os próprios interesses, caras, afastadas das pessoas que deveriam representar. Vamos ser todos muito mais felizes depois de sairmos», admitiu Daniel Hannan, eurodeputado do Partido Conservador.






