Única unidade pediátrica de cuidados paliativos do país em risco de fechar

Em causa está uma inspecção da Entidade Reguladora da Saúde, que detectou várias irregularidades no Kastelo, a única unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos em Portugal, e defende que pode estar em causa a qualidade dos tratamentos.

Executive Digest
Em causa está uma inspecção da Entidade Reguladora da Saúde, que detectou várias irregularidades no Kastelo, a única unidade de cuidados continuados e paliativos pediátricos em Portugal, e defende que pode estar em causa a qualidade dos tratamentos.

No relatório, a que a “SIC” teve acesso, a auditoria aponta, por exemplo, falhas no armazenamento, registo e administração dos medicamentos. «Reiteradamente, não existe convergência entre a prescrição médica e a transcrição para o registo de enfermagem que serve de guia à preparação e à administração da medicação.»

Os inspectores confirmaram esta discordância: «Na folha de enfermagem consta como medicamento o Melamil 12 gotas, contudo este medicamento não se encontra da folha de prescrição médica». «O médico prescreveu Ventilan 3 puffs de 6/6 horas (…) que não consta da folha da enfermagem, nem na data que foi prescrito nem na folha actual, o que indica que esta medicação nunca foi administrativa», acrescenta a mesma nota.

O mesmo documento identifica, segundo a “SIC”, problemas na gestão de resíduos hospitalares, na desinfecção de dispositivos médicos e no controlo e prevenção de infecções. «A chegada da equipa de fiscalização à unidade pelas 8h00 da manhã já se encontravam 14 utentes na sala de actividades. (…) Antes de prosseguirem para a sala de actividades, são prestados os cuidados de higiene, de aspiração e é-lhes fornecido o pequeno-almoço», pode ler-se nas denúncias.

É também referido que as escalas médicas não foram disponibilizadas. Todavia, ficou claro para os inspectores de que as horas que os profissionais passam no Kastelo são, no geral, insuficientes. «Existem dias em que não se desloca nenhum profissional médico à unidade.»

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A directora técnica do Kastelo também é acusada de dominar todas as decisões clínicas e de não realizar reuniões multidisciplinares. «Todos afirmam que estas reuniões são inexistentes, não havendo discussões dos casos em equipa. (…) A actuação técnica da Associação NoMeioDoNada – Kastelo – não é garantística dos direitos e interesses legítimos dos utentes sob sua responsabilidade.»

A confirmar-se, implica a transferência dos cerca de 30 utentes com doenças incuráveis, ou em fase terminal, para outros hospitais.

A “SIC” também teve conhecimento de uma queixa da Operação Nariz Vermelho que chegou ao Ministério Público, onde há relatos de negligência nos cuidados prestados às crianças, falta de pessoal e abuso de poder da direcção.

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A actual directora do Kastelo, Teresa Tavares, assegura as inconformidades detectadas já estão a ser corrigidas e que está a ser alvo de mentiras.

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