«Sacos de pancada». Sindicatos apelam a medidas contra agressões a toda a Função Pública

«Os trabalhadores que atendem são praticamente o saco de pancada de todas as ineficiências, de todas as dificuldades, de todos os problemas do funcionamento dos serviços públicos», disse o secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública, José Abraão.

Executive Digest

«Os trabalhadores que atendem são praticamente o saco de pancada de todas as ineficiências, de todas as dificuldades, de todos os problemas do funcionamento dos serviços públicos», disse esta quinta-feira, à “TSF”, o secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap), José Abraão.

O responsável da Fesap deixou um «apelo ao Governo mas também aos serviços». «É preciso responsabilizar os serviços no apoio aos trabalhadores ofendidos, agredidos, que são sujeitos à ameaça, o que fazem muitas vezes, porque os gabinetes jurídicos apoiam deficientemente os trabalhadores», vincou José Abraão.

Por sua vez, Sebastião Santana, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, sublinha que este fenómeno de agressões é generalizado no atendimento público. «As agressões de que os enfermeiros e os médicos têm sido alvos não são exclusivos destas classes profissionais», disse, igualmente citado pela “TSF”, sublinhando que «acontecem a toda a gente que trabalha directamente com utentes: administrativos e auxiliares também são alvo de algum tipo de violência».

Sobre o aumento de agressões a profissionais de saúde, Sebastião Santana acredita que está directamente relacionado com o «desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde». «Os tempos de espera são completamente inaceitáveis. É normal que, em situação de doença, fragilidade e alguma descompensação até, as pessoas não reajam da melhor forma», considerou.

Já o presidente da Associação de Administradores Hospitalares pede severas penalizações para os agressores de funcionários do Estado. «É preciso criar molduras penais que reflictam uma situação que é a de que a agressão perante agentes do Estado, quer seja professores, quer seja profissionais de saúde, é totalmente inaceitável», pede Alexandre Lourenço.

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No entanto, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, discorda. «Sendo um crime semipúblico, e, portanto, exigindo a participação do agredido ou da vítima, não será possivelmente esse o caminho, até porque essa questão não inibe que qualquer agredido participe como testemunha no processo.». 

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