Tempo pode ‘parar’ em 2029: aceleração da rotação da Terra deve obrigar a retirar um segundo aos relógios mundiais e lançar “problemas sem precedentes”, alerta cientista

No entanto, pode haver uma segundo bissexto “negativo” – com a remoção de um segundo – pela primeira vez, segundo indicou um cientista americano

Francisco Laranjeira

A cada quatro anos é acrescentado um dia ao calendário, os conhecidos anos bissextos, como em 2024. Mas a cada poucos anos, é adicionado “um segundo bissexto”, normalmente no final de junho ou no final de dezembro. E porque ocorre? Porque a velocidade com que a Terra gira em torno do seu eixo flutua ligeiramente, o que significa que uma rotação completa nem sempre equivale exatamente a um dia.

No entanto, pode haver uma segundo bissexto “negativo” – com a remoção de um segundo – pela primeira vez, segundo indicou um cientista americano, num artigo citado pelo tabloide britânico ‘Daily Mail’: de acordo com Duncan Agnew, geofísico da UC San Diego, o segundo bissexto negativo poderia ocorrer em 2029 para explicar a rotação demasiado rápida da Terra, alertando no entanto que poderia levar a problemas “sem precedentes” para smartphones e computadores.



“Extrapolar as tendências para o núcleo e outros fenómenos relevantes para prever a orientação futura da Terra mostra que o UTC, tal como definido agora, exigirá uma descontinuidade negativa até 2029”, salientou o académico, apontando que “isso representará um problema sem precedentes para o tempo da rede de computadores e pode exigir que alterações no UTC sejam feitas antes do planeado”.

O Tempo Universal Coordenado (UTC) é definido por “relógios atómicos” sofisticados e ultra-precisos em todo o mundo, que funcionam de forma contínua. No entanto, estes relógios atómicos não se alinham exatamente com o “tempo solar” observado, que historicamente define os dias como uma única rotação da Terra.

O tempo que leva para uma única rotação planetária muda de vez em quando devido à atração da Lua, fazendo com que os dois sistemas de tempo se separem. Desde 1972, um segundo bissexto foi adicionado 27 vezes, a última das quais em 2016.

No entanto, a rotação da Terra tem vindo a acelerar desde 2020 – e não a abrandar. Portanto, será necessário remover um segundo bissexto, para manter a hora solar observada sincronizada com os relógios. Um segundo bissexto ‘positivo’ é a adição de um segundo quando a rotação da Terra é muito lenta, enquanto um segundo bissexto ‘negativo’ é a remoção de um segundo quando a rotação da Terra é muito rápida.

“Ainda há uns anos, a expectativa era que os segundos bissextos seriam sempre positivos e aconteceriam cada vez com mais frequência”, lembrou Agnew. “Mas se se observar as mudanças na rotação da Terra, que é a razão dos segundos bissextos, e analisando o que causa essas mudanças, parece que é bastante provável que haja uma mudança negativa.”

O problema é a confusão que pode ocorrer com os segundos bissextos, especialmente nos sistemas tecnológicos modernos de hoje. Se uma rede de computadores não tiver conhecimento deles, ficará fora de sincronia com todo o resto. Um exemplo: o computador de uma loja online e o computador do seu banco mantiverem horários diferentes, clicar no botão ‘encomendar’ vai criar duas ações em horários diferentes. “Um segundo não parece muito, mas no mundo interconectado de hoje, errar a hora pode levar a enormes problemas”, reforçou Agnew.

“Muitos sistemas agora possuem software que pode aceitar um segundo adicional, mas poucos ou nenhum permitem a remoção de um segundo, de modo que se espera que um segundo bissexto negativo crie muitas dificuldades”, precisou.

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