O sucessor de Carlos Ghosn na Nissan, Hiroto Saikawa, acusou o ex-magnata dos automóveis de traição e de fugir apenas por medo da condenação, depois de ter sido responsabilizado por Ghosn como um dos responsáveis pela sua detenção no Japão. «A verdadeira razão para ele ter fugido é ter medo de vir a ser declarado culpado», referiu, citado pela “Bloomberg”.
No seu primeiro discurso público desde que foi detido, em 2018, e fugiu para o Líbano, Ghosn não se poupou nas acusações aos executivos da Nissan. Na sua versão, foi um bode expiatório para os fracos resultados da fabricante automóvel. A administração da Nissan e a justiça japonesa, relata o próprio, quiseram afastá-lo do grupo, numa tentativa de que a Renault reduzisse a sua influência na marca japonesa. «A concertação entre a Nissan e os procuradores está em todo o lado, só o povo japonês é que não quer ver», insistiu esta quarta-feira, 8 de Janeiro.
«Eu não tenho tempo para lidar com um espectáculo de um só homem interpretado por alguém que infringiu a lei e escapou à justiça», atirou também, referindo-se a um director da Nissan, Masakazu Toyoda.
Saikawa defendeu-se e comentou, após a conferência de imprensa de Ghosn, que «se era isto tudo o que ele pretendia dizer, podia tê-lo dito no Japão». Disse ainda sentir-se «traído por um antigo chefe no qual costumava confiar».
Ghosn, de 65 anos, ia ser julgado este ano, estando acusado dos crimes de desvio de dinheiro, fraude fiscal e gestão danosa, mas fugiu para o Líbano para livrar-se da «injustiça e perseguição política» de que diz ser vítima. De acordo com a imprensa japonesa, Ghosn apanhou, no passado dia 29 de Dezembro, um comboio entre Tóquio e Osaka, de onde embarcou num avião particular com destino a Istambul, Turquia. No dia seguinte, rumou a Beirute, no Líbano, num outro avião.
As autoridades libanesas garantem que o empresário entrou legalmente no Líbano e lembram que não há acordo de extradição com o Japão. Porém, o Líbano recebeu na passada quinta-feira um aviso vermelho da Interpol (solicitações às agências policiais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente um fugitivo procurado), relativo a Ghosn. Assim, o empresário deverá ser chamado na próxima semana ao Ministério Público, referiu uma fonte judicial à agência de notícias “France-Presse”.
O ex-magnata do sector automóvel foi preso pela primeira vez em Novembro de 2018. De acordo com a acusação, não reportou cerca de 82 milhões de dólares (73 milhões de euros) em salários e transferiu perdas financeiras pessoais para a Nissan.
Foi libertado a 6 de Março do ano passado, após pagar uma fiança. No entanto, no mês seguinte, foi novamente preso. Ainda em Abril, voltou a sair da prisão mediante o pagamento de nova caução, ficando em prisão domiciliária, impedido de sair do Japão e de contactar a mulher, Carole Ghosn.






