Portugal rejeita carne de javali vinda de Espanha por estar contaminada com chumbo. E não é caso único

Num dos casos, revelados pelo El País, os níveis deste metal pesado, oriundos da munição utilizada durante a caça dos animais, excederam em mais de 100 vezes os limites máximos permitidos, conforme alertas emitidos pela União Europeia. A Agência Espanhola de Segurança Alimentar (AESAN) iniciou investigações sobre este e outros incidentes.

Pedro Gonçalves

As autoridades de Itália e Portugal têm recusado recentemente remessas de produtos contendo carne de caça de javali proveniente de Espanha devido aos elevados níveis de chumbo detetados.

Num dos casos, revelados pelo El País, os níveis deste metal pesado, oriundos da munição utilizada durante a caça dos animais, excederam em mais de 100 vezes os limites máximos permitidos, conforme alertas emitidos pela União Europeia. A Agência Espanhola de Segurança Alimentar (AESAN) iniciou investigações sobre este e outros incidentes.



O Sistema de Alerta Rápida para Alimentos e Rações da União Europeia (RASFF) reportou um primeiro incidente a 8 de novembro, notificado pelas autoridades portuguesas, onde “filetes de carne de javali” apresentaram níveis de chumbo superiores a 11 miligramas por quilo de produto, ultrapassando em 110 vezes os limites autorizados de 0,10 miligramas por quilo. O segundo caso foi reportado por Itália ao RASFF a 5 de dezembro, e envolvia “cortes de carne de javali”, cujos níveis detetados triplicaram os limites permitidos.

Após as notificações, a AESAN conduziu investigações, confirmando que o chumbo responsável pela contaminação provinha da munição utilizada durante a caça dos javalis afetados.

A Associação Interprofissional da Carne de Caça (Asiccaza), em Espanha, assegura a qualidade e segurança de seus produtos, destacando os rigorosos controles realizados durante o processamento das carcaças dos animais. A associação também aponta que a contaminação por chumbo pode ocorrer naturalmente devido à exposição ambiental dos animais, não se restringindo apenas aos javalis.

Embora o impacto adverso do chumbo proveniente da caça na saúde de alguns consumidores seja reconhecido, ainda não existem estudos epidemiológicos abrangentes na Espanha que quantifiquem precisamente o alcance do problema. Esta lacuna é atribuída, em parte, à dificuldade em determinar a origem dos distúrbios causados e em discernir a fonte específica do chumbo acumulado ao longo da vida.

A AESAN sugere a promoção de alternativas à munição de chumbo, como munição de outros metais, como aço ou cobre, visando mitigar os riscos associados à contaminação. No entanto, a implementação dessas alternativas é questionada pelo presidente da Real Federação Espanhola de Caça, Manuel Gallardo, que destaca o possível impacto econômico significativo e a falta de viabilidade das alternativas propostas.

“Não há alarme de contaminação alimentar devido a munições e isto, somado ao facto de não existirem alternativas viáveis ​​às munições de chumbo, significa que certas decisões não são tomadas, o que causaria milhões de euros perdidos na União Europeia”, destaca ao El País-

Os episódios registados realçam a a importância de um controlo rigoroso e uma regulamentação eficaz para garantir a segurança alimentar e proteger a saúde dos consumidores em toda a União Europeia.

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