Caso Cambridge Analytica. Nova fuga de dados expõe manipulação da empresa em 68 países

O “The Guardian” revela que serão divulgados, nos próximos meses, documentos que irão provar a utilização sem consentimento de informações privadas de dezenas de utilizadores, para fins políticos.

Executive Digest

Depois de ter sido revelado que o número de utilizadores do Facebook com dados que foram acedidos pela sociedade de consultoria britânica Cambridge Analytica pode chegar aos 87 milhões, o “The Guardian” revela que serão divulgados, nos próximos meses, documentos que irão provar a utilização sem consentimento de informações privadas de dezenas de utilizadores, para fins políticos.

De acordo com o jornal britânico, existem 100 mil documentos que mostram o funcionamento da empresa em 68 países e vão revelar «uma operação usada para manipular os eleitores».

A divulgação de documentos começou no dia de Ano Novo, através de uma conta anónima no Twitter, @HindsightFiles. Neste momento, há links com material sobre as eleições na Malásia, Quénia, Brasil, Bolton e Irão. Os documentos foram revelados por Brittany Kaiser, ex-directora da Cambridge Analytica que se tornou denunciante.

Depois das eleições do mês passado no Reino Unido, Kaiser afirmou: «É tão óbvio que os nossos sistemas eleitorais estão sujeitos a abusos». «Tenho muito medo do que vai acontecer nas eleições americanas no final deste ano e acho que uma das poucas formas de nos protegermos é obter o máximo de informação possível», disse ainda.

Os documentos foram recuperados das suas contas de e-mail e discos rígidos. Embora Kaiser tenha entregue algum material ao parlamento em Abril de 2018, a ex-funcionária da consultora revelou que existiam milhares e milhares de páginas a mais que iam «muito mais além do que as pessoas pensam que sabem sobre o ‘escândalo da Cambridge Analytica’».

A especialista em propaganda Emma Briant, do Bard College, em Nova Iorque, teve acesso a alguns dos documentos e assegurou que o que foi revelado até agora foi apenas «a ponta do iceberg». «Os documentos revelam uma ideia muito mais clara do que realmente aconteceu nas eleições presidenciais americanas de 2016, o que terá uma enorme influência sobre o que acontecerá em 2020», acrescentou, sublinhando que «esta é uma indústria global que está fora de controle».

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