Isabel dos Santos no Instagram: «Quero a oportunidade de me defender»

O Tribunal angolano decretou o arresto de contas bancárias e empresas da empresária e filha do antigo Presidente Angolano, José Eduardo dos Santos.

Revista de Imprensa

O arresto de contas e participações da mulher mais rica de África, Isabel dos Santos, em nove empresas angolanas poderá vir a ter consequências em Portugal. A empresária detém participações de peso na NOS, Galp, Efacec e Banco Bic, que podem vir a sofrer alterações, avança o “Dinheiro Vivo/Diário de Notícias” (DV/DN). 

Depois de uma série de tweets publicados no primeiro dia do ano, Isabel dos Santos esteve 30 minutos em directo na rede social Instagram responder a perguntas sobre o processo judicial de que é alvo. A empresária e filha do antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, garante que nunca foi notificada do processo, fala em fabricações e pede a oportunidade de apresentar «papéis e documentos» à justiça angolana.  «Vamos continuar a lutar e vamos redobrar o nosso compromisso. Estas coisas não fazem sentido. São fabricadas», disse.



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«O meu pai acredita que em Angola tem de vencer a verdade. O que ele me disse foi: a luta continua, muita coragem», concluiu.

Contactada pelo “DV”, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) assegurou que «está a acompanhar as implicações da decisão judicial, designadamente no que respeita a eventuais obrigações de prestação de informação ao mercado por entidades nacionais. Tendo em conta, porém, que a decisão incide primariamente sobre entidades de direito angolano, não se afigura por ora, e em face da informação disponível, exigível que sociedades cotadas nacionais, não visadas pela referida decisão, divulguem informação ao mercado». 

De acordo com o “DV/DN”, a operadora NOS é uma das principais visadas. Isabel dos Santos exerce influência atrás da ZOPT, na qual detém metade do capital. O restante pertence à Sonae. A ZOPT é dona de 52% da NOS, que controla 30% da ZAP, uma plataforma de televisão angolana. O restante capital da ZAP pertence a Isabel dos Santos e faz parte do património arrestado. A ZAP detém ainda o controlo das edições de Portugal e Angola da revista “Forbes”.

No sector energético, a Efacec, detém a maior parte do capital, 75%, através da Winterfell Industries, pode vir a ser afectada.

O império da empresária em Portugal estende-se ainda à Galp. Através da holding Esperaza, Isabel dos Santos controla 45% da Amorim Energia, que detém 33,34% da petrolífera portuguesa.

Por serem empresas cotadas em bolsa, a CMVM está a «acompanhar as implicações» da decisão do Tribunal Provincial de Luanda de arrestar preventivamente as contas bancárias pessoais da empresária e nas empresas nas quais detém participações sociais, designadamente no que respeita «a eventuais obrigações de prestação de informação».

No Banco BIC, a empresária detém, através da Santoro Finance, uma participação de 42,5%, semelhante à posição que detém no BIC Angola, também arrestada.

Recorde-se que, o Tribunal angolano decretou, no passado dia 30 de Dezembro, o arresto dos bens e contas bancárias de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e Mário Leite da Silva depois de ter sido provado que Eduardo dos Santos beneficiou os negócios da filha e do genro, sobretudo no comércio de diamantes. Ficou ainda provado que a empresária, por intermédio de Leopoldino Fragoso do Nascimento, tentou transferir 10 milhões de euros de Portugal para a Rússia, o que levou a Polícia Judiciária a interceptar a acção.

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