Ministro do Ambiente: “As aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio”

João Matos Fernandes defende que as aldeias ribeirinhas têm de pensar em mudança.

Executive Digest

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, disse na segunda-feira em declarações ao Jornal 2 da RTP que as aldeias ribeirinhas do Baixo Mondego poderão ter de se mudar e que a manutenção feita nos diques foi o que evitou uma tragédia ainda maior.

A afirmação é feita na sequência da subida da água no Mondego como efeito das depressões Elsa e Fabian, que obrigaram à retirada das populações por precaução na zona de Montemor-o-Velho.



“Vamos ter de nos adaptar aos recursos que temos. Aldeias têm de saber que estão numa zona de risco. Paulatinamente, as aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio porque não esperemos que esta capacidade que temos possa vir a crescer. Isso é o contrário da adaptação”, declarou João Matos Fernandes.

Entretanto, o autarca de Montemor-o-Velho explicou, em declarações à RTP, que a perspetiva dada pelo ministro do Ambiente pode ser encarada mas que será muito difícil retirar as pessoas dos locais onde vivem.

“Na prática, é muito difícil tirar as pessoas das suas residências quanto mais mudar as pessoas do seu local habitual”.
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Emílio Torrão lembrou que estas pessoas que vivem no Baixo Mondego já têm “uma cultura de cheia” e que estão habituadas a viver com este fenómenos e que o problema reside no agravamento destas situações devido às alterações climáticas.

Apesar da garantia por parte do ministro do ambiente que a manutenção dos diques tem sido realizada com frequência, a Quercus deixou críticas à mesma e à gestão feita na bacia do Mondego. Para a associação, os trabalhos de desassoreamento de 2018 foram uma das causas para o colapso dos diques.

Também a Ordem dos Engenheiros criticou o estado destas estruturas de defesa, denunciando falta de manutenção e obras inacabadas.

Segundo Emílio Torrão, as populações afetadas no vale central do Baixo Mondego “ainda estão com problemas, porque a água vai demorar a baixar”, mas “as coisas vão melhorando”.

A Estrada Nacional 111, junto a Tentúgal, continua cortada não havendo ainda expectativa de quando é que será reaberta.

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