Duas dezenas de escolas suspeitas de subir notas

A maioria dos casos envolve colégios privados.

Revista de Imprensa

A Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) abriu, no último ano, 20 processos contra estabelecimentos de ensino, ou algum dos seus responsáveis, por causa da atribuição de notas inflacionadas aos alunos do ensino secundário, com o objectivo de facilitar a sua entrada no ensino superior, avançam hoje o ‘Público’ e o ‘Expresso’.

A maioria destes casos envolve colégios privados, entre os quais está o Externato Ribadouro, no Porto, onde foram instaurados três processos disciplinares por causa da inflação das classificações, que podem mesmo levar ao encerramento do colégio.



De acordo com os dados do ME, o que se verifica é que há escolas em que sistematicamente as notas internas dos alunos afastam-se de forma significativa das dos restantes colegas do país que têm as mesmas avaliações nos exames nacionais. Ou seja, no mínimo pode dizer-se que estão a usar critérios de avaliação mais generosos. Há 18 secundárias que nos últimos cinco anos letivos estiveram sempre nesta lista. A maioria (15) são privadas e nenhuma fica a sul de Coimbra.

“Nenhuma das 30 escolas privadas de Lisboa entra nesta lista da inflação repetida e no distrito do Porto 10 em 28 estão lá. Era importante que houvesse uma intervenção do ME”, afirma ao Expresso Cristina Santos, docente da Faculdade de Medicina do Porto e autora de um estudo sobre o desempenho dos alunos nesta escola e a secundária que frequentaram. Nele constatou que os jovens que vinham de estabelecimentos onde a inflação de notas era prática acabavam por se sair pior do que os outros. Ou seja, tendo tido notas mais generosas podem ter ultrapassado injustamente outros estudantes no acesso à universidade que, eventualmente, trabalharam tanto ou mais do que eles, mas não conseguiram as décimas adicionais para entrar em cursos tão disputados como Medicina, alerta.

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