A zona ‘Borderland’ é o limite da União Europeia e do alcance da NATO: é uma fronteira repleta da mais recente tecnologia de câmaras e sensores, perante o receio de que Vladimir Putin possa estar a preparar-se para a romper.
Os sinais de apreensão não são infundados. Os avisos de Moscovo têm surgido ultimamente em grande quantidade e rapidamente e os estados bálticos da Letónia, Lituânia e Estónia têm uma experiência amarga do que isso possa significar.
Durante a campanha eleitoral, Putin já referiu o tratamento dado pela Letónia aos russos étnicos como uma questão de segurança – a mesma retórica que usou antes de a Rússia invadir a Ucrânia. Há cartazes visíveis na fronteira com o país báltico que dizem: “As fronteiras da Rússia – elas nunca terminam.” Mas mais grave está no facto de a Rússia ter como alvo cidades estónias em ataques simulados durante os exercícios militares no verão de 2022, poucos meses antes do ataque a Kiev.
“Eles apontam as suas armas para nós, introduzem todos os dados, mas não puxam realmente o gatilho”, referiu o general Martin Herem, comandante das Forças de Defesa da Estónia, citado pela ‘Bloomberg’, que comparou as ações russas “às de um bandido” à procura de uma rixa na rua: “Eles estão a tentar criar um pretexto.”
Os países bálticos, de qualquer forma, estão habituados à intimidação por parte de Moscovo, algo que a adesão à UE e à NATO ajudou a atenuar. Mas a invasão da Ucrânia pelo Kremlin mudou tudo. Agora, os esforços vacilantes do Ocidente para ajudar Kiev, assim como a mudança da Rússia para uma economia de guerra, mantendo ao mesmo tempo o apoio público, estão a criar a sensação de que está a emergir um novo conflito.
“Os especialistas militares não tiveram quaisquer ilusões nos últimos dois anos, mas faltou-nos factos”, alertou Herem. “Agora, podemos apoiar os nossos instintos com factos concretos e ninguém nos pode acusar de belicismo.”
Muito antes da invasão russa da Ucrânia, os três países bálticos mostraram-se agressivos para com a Rússia – desde então, têm liderado os apelos para apoiar Kiev e reforçar as defesas, avançando para a compra de equipamento militar, desde mísseis a drones, além de fortificar a fronteira.
Ninguém espera que Putin lance um ataque imediato, até porque a Rússia está totalmente empenhada na Ucrânia e ocupada a tentar reabastecer o seu pessoal e equipamento militar. No entanto, as autoridades bálticas consideram que Putin está encorajado a considerar a expansão das suas ambições imperialistas.
“A situação atual é uma grande tentação para a Rússia atacar o Ocidente e os países da NATO porque estão a ver a nossa indecisão no apoio à Ucrânia”, garantiu Dalia Grybauskaite, ex-presidente da Lituânia, que considerou a atual vacilação em ajudar a Ucrânia como “um enorme erro estratégico e tático. Mais cedo ou mais tarde, Putin verá uma janela de oportunidade e irá aproveitá-la.”
“É demasiado tarde para a dissuasão”, acrescentou, alertando que as defesas precisam de ser aumentadas e com urgência. “Porque não teremos nem um dia. Os nossos territórios têm 300 quilómetros de largura e não se trata de dias ou semanas, mas de horas.”
Herem reconheceu ter a maior consideração pelas capacidades militares da Rússia. “Não está preparada para entrar num conflito militar com a NATO. Não vai acontecer hoje ou amanhã. Mas dentro de um ano ou em seis meses, poderiam fazer algo horrível connosco. Não precisam de marchar sobre Varsóvia, Berlim ou mesmo Tallinn. Poderia assumir uma forma de agressão militar em pequena escala.”








