A pensar em pedir um crédito à habitação em 2020? há boas notícias

O financiamento para a compra de casa vive um dos ciclos mais favoráveis em Portugal com a descida dos spreads em praticamente todos os bancos no mercado.

Ana Rita Rebelo

Um dado importante para quem está a considerar contratar um crédito à habitação no próximo ano: os spreads deverão manter-se baixos e podem quebrar a barreira dos 1%.

O financiamento para a compra de casa vive um dos ciclos mais favoráveis em Portugal com a descida dos spreads em praticamente todos os bancos no mercado. Dados compilados pela plataforma ComparaJá.pt, a pedido da Executive Digest, mostram que a esmagadora maioria dos bancos que oferecem crédito à habitação em Portugal encolheram os spreads mínimos nos últimos meses para uma média de 1% a 1,5%. É preciso recuar dez anos para encontrar spreads tão baixos.

O spread mais baixo do mercado está a ser aplicado pelo espanhol Bankinter e pelo português Santander, que cobram um «prémio» mínimo de 1%. Seguem-se o Banco CTT, o Crédito Agrícola, o Activo Bank e o Millennium bcp, com um spread de 1,10%.

O espanhol Abanca é o único que contraria a tendência. O banco aumentou o seu spread mínimo em dois pontos percentuais, para 1,40%.

Spreads abaixo de 1%? É possível

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O presidente da Informação de Mercados Financeiros (IMF), Filipe Garcia, justifica as constantes revisões em baixo dos spreads. «Os bancos perceberam que o crédito para a compra de casa é uma importante âncora na relação com os clientes; por outro lado, têm interesse em estar num mercado que rende bastantes comissões ao longo de muitos anos; as condições de financiamento dos próprios bancos também melhoraram; tendo como pano de fundo a valorização do imobiliário e os critérios de concessão na relação crédito/valor da garantia, os bancos sentem-se mais motivados para estar neste mercado», explica.

Filipe Garcia vai mais longe ao antecipar que os spreads deverão manter-se baixos em 2020. «Não será muito provável que os spreads desçam de forma generalizada dos 1%, mas pode ser atrativo para algum banco quebrar essa barreira para se diferenciar dos demais», prevê.

No entanto, o economista ressalva que o contexto do negócio bancário é hoje mais difícil do que antes da crise de 2018. «Também por isso vejo com dificuldade um regresso aos spreads de 0.5% ou abaixo, com as Euribor aos níveis atuais», acrescenta.

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Mas atenção, os custos totais do empréstimo podem ir muito além do spread

José Figueiredo, CEO do ComparaJá, deixa o alerta de que os clientes devem olhar para outros indicadores, para além do spread, quando vão contratar um crédito à habitação: «A TAEG [taxa anual de encargos efetiva global], e o MTIC [montante total imputado ao consumidor], são excelentes indicadores para comparar propostas de diferentes instituições financeiras. Mas atenção: é importante que os critérios de comparação – montante solicitado e, entre outros, prazos de pagamento – sejam exactamente os mesmos», resume o responsável do portal de comparação de crédito habitação.

«Por serem indicadores que têm em conta as várias componentes do crédito, a TAEG e o MTIC devem prevalecer face ao spread enquanto factores de decisão no crédito habitação», justifica, argumentando que «o spread é apenas uma componente da taxa de juro, definida pelo banco, contrato a contrato, quando concede um empréstimo, ou seja, é uma percentagem que o banco cobra, adicionalmente à Euribor, e que resulta em receita para a própria instituição, não representando a totalidade dos custos para o consumidor».

Que bancos mexeram nos spreads mínimos nos últimos meses? E em quanto?

 

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Evolução dos Spreads mínimos por instituição

Crédito Habitação com garantia hipotecária para Aquisição de Habitação Própria e Permanente a Taxa Variável

Banco Spreads Mínimos
Outubro 2017 Maio 2018 Outubro 2018 Maio 2019 12 Dezembro 2019
Bankinter 1,25% 1,15% 1% 1% 1%
Santander 1,25% 1,15% 1,15% 1,10% 1%
Banco CTT 1,30% 1,30% 1,20% 1,10% 1,10%
Crédito Agrícola 1,50% 1,20% 1,20% 1,10% 1,10%
ActivoBank 1,25% 1,25% 1,25% 1,25% 1,10%
Millennium bcp 1,25% 1,25% 1,25% 1,25% 1,10%
Montepio 1,55% 1,55% 1,50% 1,175% 1,175%
BPI 1,75% 1,50% 1,50% 1,25% 1,20%
EuroBic 1,65% 1,49% 1,49% 1,20% 1,20%
CGD 1,75% 1,50% 1,30% 1,23% 1,23%
Banco Best 1,50% 1,50% 1,25% 1,25% 1,25%
Novo Banco 1,50% 1,50% 1,25% 1,25% 1,25%
Abanca 1,20% 1,20% 1,20% 1,20% 1,40%
UCI 1,75% 1,75% 1,50% 1,50% 1,50%
Dados conforme preçários das instituições recolhidos pelo ComparaJá.pt

 

 

 

 

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