A Maçonaria foi às juventudes partidárias recrutar aqueles que esperava serem os novos líderes de Portugal. A organização queria ter do seu lado – e alinhados com os seus interesses – os responsáveis por desenhar as leis que orientam o País e o plano parece ter dado alguns frutos. Segundo adianta a revista Visão desta quinta-feira, o designado “Projecto Mercúrio” resultou no recrutamento de nomes como Miguel Pinto Luz, na corrida pela presidência do PSD, Duarte Cordeiro, secretário de Estado-adjunto dos Assuntos Parlamentares, Francisco André, chefe do gabinete do primeiro-ministro, Francisco César, líder parlamentar do PS/Açores, ou Marco António Costa, ex-vice do PSD.
Mas, inicialmente, a política não era o alvo da Maçonaria. A mesma investigação revela, com base em documentos internos, que a organização começou por apontar à comunicação. Só depois decidiu captar políticos e elementos dos serviços secretos.
«A partir de 2004, foram recrutados muitos políticos, pois nessa altura estava-se a apostar em ter pessoas muito influentes. E aí acabaram por entrar muitos jovens promissores que estavam nas juventudes partidárias. Ao mesmo tempo, eram iniciados deputados e importantes elementos dos partidos», conta à Visão um dos maçons responsáveis pelo processo de recrutamento.
A ligação entre a Maçonaria e o cenário político actual foi denunciado por Rui Rio, que luta com Miguel Pinto Luz pela liderança do PSD mas também com Luís Montenegro – antigo líder parlamentar do PSD, que, juntamente com o seu vice na altura, Miguel Santos, também tem ligações à Maçonaria, mais concretamente à Loja Mozart.
Mas o que levava os jovens políticos a aceitar entrar na Maçonaria? José Manuel Anes, antigo grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), explica que a organização oferece protecção e apoios na carreira partidária, além de uma rede de contactos: «Ao entrar, ficam com um conjunto de ligações, das quais tiram benefícios. Muitos saem depois, quando chegam a um certo estatuto. Até com receio do que pode ser noticiado nos jornais. Mas aí já usufruíram…»
Miguel Pinto Luz estará entre os que saíram entretanto, tendo afirmado que já não faz parte da irmandade há 10 anos. Porém, sublinha a Visão, quando anunciou a sua candidatura à liderança do PSD, alguns dos seus antigos “irmãos” maçónicos declararam o seu apoio. O mesmo aconteceu com Luís Montenegro.
Rui Rio também não escapa a esta tendência, ainda que de forma mais suave, tendo escolhido para responsável de comunicação o maçon João Tocha, iniciado no Grande Oriente Lusitano (GOL) da Loja Lusitânia. Na sua equipa conta ainda com outro nome ligado à organização: António Dias Costa, mandatário para as comunidades.
A Visão destaca ainda o facto de que a Maçonaria tem tido influência em todos os partidos portugueses e não somente no PSD. Há pelo menos 30 anos que membros desta organização têm chegado a diferentes cargos (incluindo ministros e secretários de Estado) em todos os governos.









