Maçonaria apontou à comunicação mas acabou por recrutar políticos

A Maçonaria foi às juventudes partidárias recrutar aqueles que esperava serem os novos líderes de Portugal. Mas, inicialmente, estava de olho na comunicação.

Filipa Almeida

A Maçonaria foi às juventudes partidárias recrutar aqueles que esperava serem os novos líderes de Portugal. A organização queria ter do seu lado – e alinhados com os seus interesses – os responsáveis por desenhar as leis que orientam o País e o plano parece ter dado alguns frutos. Segundo adianta a revista Visão desta quinta-feira, o designado “Projecto Mercúrio” resultou no recrutamento de nomes como Miguel Pinto Luz, na corrida pela presidência do PSD, Duarte Cordeiro, secretário de Estado-adjunto dos Assuntos Parlamentares, Francisco André, chefe do gabinete do primeiro-ministro, Francisco César, líder parlamentar do PS/Açores, ou Marco António Costa, ex-vice do PSD.

Mas, inicialmente, a política não era o alvo da Maçonaria. A mesma investigação revela, com base em documentos internos, que a organização começou por apontar à comunicação. Só depois decidiu captar políticos e elementos dos serviços secretos.

«A partir de 2004, foram recrutados muitos políticos, pois nessa altura estava-se a apostar em ter pessoas muito influentes. E aí acabaram por entrar muitos jovens promissores que estavam nas juventudes partidárias. Ao mesmo tempo, eram iniciados deputados e importantes elementos dos partidos», conta à Visão um dos maçons responsáveis pelo processo de recrutamento.

A ligação entre a Maçonaria e o cenário político actual foi denunciado por Rui Rio, que luta com Miguel Pinto Luz pela liderança do PSD mas também com Luís Montenegro – antigo líder parlamentar do PSD, que, juntamente com o seu vice na altura, Miguel Santos, também tem ligações à Maçonaria, mais concretamente à Loja Mozart.

Mas o que levava os jovens políticos a aceitar entrar na Maçonaria? José Manuel Anes, antigo grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), explica que a organização oferece protecção e apoios na carreira partidária, além de uma rede de contactos: «Ao entrar, ficam com um conjunto de ligações, das quais tiram benefícios. Muitos saem depois, quando chegam a um certo estatuto. Até com receio do que pode ser noticiado nos jornais. Mas aí já usufruíram…»

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Miguel Pinto Luz estará entre os que saíram entretanto, tendo afirmado que já não faz parte da irmandade há 10 anos. Porém, sublinha a Visão, quando anunciou a sua candidatura à liderança do PSD, alguns dos seus antigos “irmãos” maçónicos declararam o seu apoio. O mesmo aconteceu com Luís Montenegro.

Rui Rio também não escapa a esta tendência, ainda que de forma mais suave, tendo escolhido para responsável de comunicação o maçon João Tocha, iniciado no Grande Oriente Lusitano (GOL) da Loja Lusitânia. Na sua equipa conta ainda com outro nome ligado à organização: António Dias Costa, mandatário para as comunidades.

A Visão destaca ainda o facto de que a Maçonaria tem tido influência em todos os partidos portugueses e não somente no PSD. Há pelo menos 30 anos que membros desta organização têm chegado a diferentes cargos (incluindo ministros e secretários de Estado) em todos os governos.

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